Líder afegão condena vídeo de soldados dos EUA urinando em corpos

EUA investigam imagens que mostram quatro militares aparentemente urinando em militantes do Taleban mortos no Afeganistão

iG São Paulo |

O presidente afegão, Hamid Karzai, condenou nesta quinta-feira um vídeo em parece mostrar marines (fuzileiros navais) dos EUA urinando sobre os corpos de vários militantes do Taleban no Afeganistão. A milícia islâmica também denunciou o vídeo como "vergonhoso" , mas disse que ele não atrapalhará as negociações de paz com a comunidade internacional.

Saiba mais: Taleban condena suposto vídeo de soldados americanos urinando em corpos

O Exército dos Estados Unidos disse estar investigando a autenticidade das imagens, enquanto a corporação dos marines afirmou que as ações expostas não condizem com seus valores centrais. A origem do vídeo é desconhecida, e também não se sabe quem o colocou online.

Assista ao vídeo:

As imagens mostram quatro homens em uniformes militares aparentemente urinando em três corpos de homens descalços, um deles coberto de sangue. É possível ouvir a voz de um homem dizendo: “Tenha um ótimo dia, amigo." Os homens que aparecem nas imagens parecem estar cientes de que estão sendo filmados.

Em uma declaração, Karzai afirmou: "O governo do Afeganistão está profundamente perturbado pelo vídeo que mostra soldados americanos profanando corpos de três afegãos. Esse ato é simplesmente inumano e condenável nos termos mais fortes possíveis. Claramente pedimos ao governo dos EUA para investigar urgentemente de vídeo e impor a punição mais severa aos responsáveis por esse crime."

O porta-voz do Taleban Qari Yousuf Ahmadi disse à BBC que essa não foi a primeira vez que os americanos realizaram uma "ação selvagem", afirmando que os ataques do Taleban contra os americanos continuarão. Mas Zabihullah Mujahid, um diferente porta-voz da milícia, disse à agência Reuters que o vídeo "não faz parte do processo político, então não atrapalhará as negociações (de paz do grupo com a comunidade internacional) e a troca de prisioneiros porque as duas coisas estão no estágio preliminar".

As forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) divulgaram um comunicado dizendo que as ações mostradas no vídeo são “inexplicáveis e não condizem com o alto padrão moral” dos soldados. O comunicado informa que as ações “parecem ter sido realizadas por um grupo de indivíduos americanos que aparentemente já não estão servindo no Afeganistão”.

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, disse que o comportamento mostrado no vídeo é “inaceitável”. “Tais ações não consistem com nossos valores e não são representativos do caráter do Exército americano. Faremos uma investigação completa”, prometeu, em comunicado.

Negociações

Na semana passada, o Taleban anunciou um acordo com o governo do Catar que permitirá a abertura de um escritório político no país . A medida é considerada um passo importante para um avanço nas negociações de paz entre o grupo afegão e a comunidade internacional, após mais de dez anos de guerra .

De acordo com Mujahid, o escritório, que ainda não tem data para ser aberto, conduzirá negociações com a comunidade internacional. Para os EUA e seus aliados, a criação de um escritório político para o Taleban se tornou um elemento central para permitir as negociações com os insurgentes.

A Otan e o presidente americano, Barack Obama, concordaram que as tropas de combate estrangeiras no Afeganistão voltem para casa até o fim de 2014. O Ocidente, no entanto, prometeu apoio para depois dessa data na forma de fundos e treinamento para as forças de segurança afegãs.

O dia 7 de outubro de 2011 marcou os dez anos desde o início da campanha militar dos EUA no Afeganistão, lançada após os ataques do 11 de Setembro de 2011 nos EUA, que ajudou a derrubar o governo linha dura do Taleban.

O andamento da guerra no Afeganistão tem sido bastante polêmico e ambos os lados alegam ter vencido. A violência se disseminou para as regiões norte e oeste, que já foram pacíficas, e os insurgentes executaram uma série de assassinatos, entre eles o do ex-presidente afegão Buhanuddin Rabbani , mediador de paz do governo com o Taleban.

Com AP, BBC e AFP

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