O histórico líder islâmico tunisiano Rachid retornou neste domingo à Tunísia após permanecer mais de duas décadas no exílio, sendo recebido por milhares de seguidores eufóricos no aeroporto internacional de Túnis.
Após 22 anos exilado, líder islâmico volta a Tunísia que derrubou seu presidente há duas semanas
Aos gritos de "O povo é muçulmano e não se rende", "Não há outro Deus senão Alá" e "Alá é grande", as mais de 2 mil pessoas concentradas na ala de desembarque do aeroporto se esforçaram para saudar o dirigente, que saiu do aeroporto protegido por várias dezenas de seus seguidores.
"Hoje Gannuchi volta a seu povo, a seu país, para ver cumpridos seus direitos políticos", disse à agência EFE Mohamed al-Bahri, membro do comitê executivo do movimento Al-Nahda ("O Renascimento", em árabe), do qual Gannuchi é líder. "A presença de Gannuchi é uma prova da liberdade e de que todos os tunisianos, sem exceção, gozam dela", acrescentou. Outro líder do movimento islâmico tunisiano, Abdelfatah Moro, também falou em vitória de todo o país: "Hoje é um dia de alegria, não só para nós, mas para toda a Tunísia".
Mulheres pelo estado laico
Entre as milhares de pessoas que foram ao aeroporto, destacavam-se mulheres usando véus islâmicos. No entanto, além dos seguidores do líder, um grupo de cerca de 20 jovens mulheres foi ao aeroporto para exigir a manutenção do Estado laico na Tunísia, isto é, sem que a religião influa na autoridade estatal. "Não somos contra Gannuchi voltar ou se candidatar às eleições, mas somos contra que se candidatem com um programa de Governo islâmico", disse uma das manifestantes, Lidia Sanuli.
Algumas das jovens que foram ao aeroporto para protestar contra o líder islâmico tinham barbas e bigodes pintados para criticar o tratamento político do Islã para com as mulheres, que consideram discriminatório.
Gannuchi declarou recentemente que não tem intenção de impor na Tunísia uma república de caráter islâmico. O dirigente islâmico, que deixou a Tunísia em 1989, foi condenado à prisão perpétua à revelia em 1991. Dois anos depois, obteve asilo político no Reino Unido, onde vivia até então.
Volta após derrubada do governo
Protestos violentos na Tunísia levaram a derrubada do presidente Zine El Abidine Ben Ali, que fugiu para a Arábia Saudita no último dia 14, após 23 anos no poder. Uma equipe interina está no governo enquanto o país estrutura novas eleições.
Para especialistas, os protestos que começaram na Tunísia incentivaram os acontecimentos no Egito que já duram seis dias e também pedem a derrubada de um governo de 30 anos.
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