Líbia diz que Londres libertou Megrahi para tirar vantagens comerciais

A Líbia afirmou que a polêmica libertação pela Escócia de Abdelbasset al-Megrahi, condenado pelo atentado de Lockerbie, era parte dos contratos comerciais concluídos com a Grã-Bretanha, o que o governo de Londres desmentiu categoricamente.

AFP |

O dirigente líbio Muammar Kadhafi, que recebeu Megrahi sexta-feira à noite, elogiou a "coragem" e a "independência" do governo escocês, num momento em que a imprensa britânica vituperava neste sábado contra as "negociações de fundo de quintal" e a "colusão" entre Londres e Edimburgo.

O jornal Daily Mail denunciou neste sábado uma "semana da vergonha" para os dirigentes britânicos.

"Em todos os contratos comerciais, de petróleo e de gás com a Grã-Bretanha, Megrahi sempre foi um elemento das negociações", afirmou Seif al-Islam, um dos filhos do coronel Kadhafi, em entrevista divulgada na noite de sexta-feira por seu canal de TV, Al-Muntawasset.

O governo britânico desmentiu imediatamente. "Não existe nenhum acordo" neste sentido, garantiu um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown, questionado pela AFP.

"Todas as decisões relacionadas ao caso Megrahi foram tomadas exclusivamente por ministros escoceses" e autoridades políticas e judiciárias da Escócia, afirmou, por sua vez, um porta-voz do Foreign Office, a chancelaria britânica.

Mais cedo, o ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, se insurgiu contra as sugestões segundo as quais Londres teria favorecido a libertação de Megrahi para melhorar as relações comerciais com a Líbia, um país rico em petróleo.

Porém, segundo Seif al-Islam, "todos os interesses britânicos estavam ligados à libertação de Abdelbasset al-Megrahi, cujo caso foi mencionado em todas as visitas à Líbia do ex-primeiro-ministro Tony Blair", responsável pela assinatura, em 2007, de um acordo sobre a exploração do gás no país africano.

Ator-chave nas negociações com Londres, Seif al-Islam deu esta entrevista quinta-feira a bordo do avião que levava os dois homens de volta para Trípoli.

Abdelbasset al-Megrahi, 57 anos, sofre de um câncer da próstata em fase terminal e teria apenas três meses de vida. Ele foi libertado pela Escócia por motivos humanitários.

O suposto terrorista fora condenado em 2001 à prisão perpétua por seu envolvimento na explosão, em 1988, de um avião da companhia aérea norte-americana Pan Am acima da aldeia escocesa de Lockerbie, um atentado que matou 270 pessoas.

Ontem à noite, Megrahi foi recebido por Kadhafi, que elogiou a decisão do governo escocês de libertá-lo "apesar das pressões inaceitáveis".

Quinta-feira, em Trípoli, centenas de pessoas receberam Megrahi como um herói, provocando reações indignadas de Londres e Washington.

Em uma breve declaração, Megrahi disse que nunca teria imaginado poder voltar um dia à Líbia.

Em entrevista concedida ao jornal The Times e publicada neste sábado, ele reiterou sua inocência no atentado de Lockerbie e afirmou que produzirá provas antes de sua morte.

"Se existisse justiça no Reino Unido, teria sido absolvido. Foi um erro judicial", enfatizou Megrahi, garantindo que a Líbia não está por trás do atentado.

ila/yw

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG