Líbia causa polêmica ao comparar Gaza a campos de concentração nazistas

Nações Unidas, 24 abr (EFE) - A Líbia afirmou em discurso no Conselho de Segurança da ONU que a situação da população da Faixa de Gaza submissa a um bloqueio israelense é igual à dos campos de concentração nazistas, o que provocou o protesto de outros membros do órgão multilateral.

EFE |

O embaixador adjunto da Líbia, Ibrahim Dabashi, fez a comparação durante o debate a portas fechadas sobre o Oriente Médio que na quarta-feira foi realizado pelo principal órgão das Nações Unidas, disseram hoje à Agência Efe fontes diplomáticas.

A declaração fez com que embaixadores de Estados Unidos, França, Bélgica, Reino Unido e Costa Rica abandonassem a sala em protesto, o que obrigou o presidente do Conselho, o embaixador sul-africano, Dumisani Kumalo, a dar por encerrada a reunião.

"Apoiamos a decisão da África do Sul e como outros membros do Conselho de Segurança estamos consternados com a maneira em que a Líbia abordou o tema e não achamos que este tipo de linguagem ajude ao progresso do processo de paz", assinalou em uma declaração a embaixadora adjunta do Reino Unido, Karen Pierce.

Ela foi uma das diplomatas que abandonou a sala.

Por sua parte, o embaixador de Israel perante a ONU, Dan Gillerman, disse hoje em um ato por ocasião dos 60 anos do Estado judeu que as palavras do representante líbio são "degradantes" e "uma vergonha".

Gillerman qualificou de "lamentável" que haja "um Estado terrorista" no Conselho de Segurança, ao qual responsabilizou de tentar paralisar o processo de paz do Oriente Médio.

Membros do principal órgão das Nações Unidas, como os EUA, consideram que a presença da Líbia desde janeiro contribuiu para aumentar o tradicional desacordo no seio do Conselho de Segurança sobre o conflito entre israelenses e palestinos.

O Conselho foi incapaz de se pronunciar sobre a grave situação humanitária que sofre a população de Gaza desde que começou a crise no início do ano ou os bombardeios palestinos contra povoações israelenses.

Mesmo com a recusa da Líbia, conseguiu chegar a um texto de condenação ao atentado terrorista de 6 de março contra uma escola religiosa em Jerusalém.

Por outra parte, o ministro de Assuntos Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, fez chegar hoje uma carta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na qual pergunta por que se permite que Israel continue sendo membro da organização à luz "os massacres que comete contra o povo palestino" em Gaza.

"O regime sionista colocou em sua agenda o massacre diário de mulheres indefesas, crianças e homens no mencionado território palestino, perante os olhos do mundo civilizado", afirma a carta.

Mottaki pede ao secretário-geral que adote todas as medidas necessárias para "deter as ações desumanas" de Israel. EFE jju/db

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