Líbia assumiu responsabilidade por Lockerbie para acabar com sanções

A Líbia aceitou reconhecer sua responsabilidade no atentado de Lockerbie, que deixou 270 mortos em 1988, apenas para conseguir o fim das sanções internacionais, admite Seif Al-Islam, filho do líder líbio Muammar Kadafi, em um documentário que a BBC exibirá no domingo.

AFP |

"Sim, escrevemos uma carta ao Conselho de Segurança (da ONU) afirmando que somos responsáveis pelos atos de nossos funcionários (...), mas isto não significa que o fizemos de fato", declara o filho de Kadafi no documentário.

"Admito que jogamos com as palavras, tínhamos que fazer isto", acrescenta.

"Se o regime líbio não tivesse escrito esta carta, não teríamos conseguido nos livrar das sanções".

Seif Al-Islam, que negociou os acordos de indenizações às famílias das vítimas do atentado de Lockerbie (Escócia), acusa as mesmas de só terem pensado no dinheiro.

"As negociações com elas (as famílias das vítimas) foram realmente terríveis, muito materialistas e muito gananciosas", declara.

"Elas pediam mais e mais dinheiro, sempre mais dinheiro", recorda.

"Acredito que foram gananciosas e quiseram fazer um bom negócio com o sangue de seus filhos e filhas", afirmou Seif Al-Islam, que semana passada anunciou que deixava a vida política líbia.

Trípoli admitiu a responsabilidade no atentado de Lockerbie e assinou com os governos de Londres e Washington um acordo de indenização às famílias das vítimas no valor de 2,7 bilhões de dólares, ou seja, US$ 10 milhões por família.

O acordo possibilitou o fim das sanções impostas pela ONU e os Estados Unidos à Líbia, primeiro passo para a normalização das relações entre Washington e Trípoli anunciada em 2006.

A Líbia, no entanto, não concluiu o pagamento das indenizações. O problema foi solucionado em 14 de agosto com a assinatura de um novo acordo de indenização.

cyb/fp

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