Líbia assume Presidência da Assembleia Geral da ONU rumo à normalização

Nações Unidas, 15 set (EFE).- O diplomata líbio Ali Treki assumiu hoje a Presidência da Assembleia Geral da ONU, em um novo passo no processo do país norte-africano para normalizar sua situação no cenário internacional, após longos anos de isolamento.

EFE |

Com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a sua direita, o ex-ministro de Exteriores líbio inaugurou o 64º período de sessões do órgão legislativo das Nações Unidas, com um discurso no qual pediu mais atenção à situação no Oriente Médio e ao desenvolvimento das economias mais pobres do planeta.

Suas primeiras palavras foram para agradecer sua escolha, em 10 de junho, como principal responsável da Assembleia, o que representa "um grande honra para meu país e sua liderança".

"O mundo ficou pequeno, graças ao progresso tecnológico nas comunicações e na informação, por isso todos nos damos conta de que o que nos afeta, afeta os outros, e que, portanto, o diálogo é a única solução", disse Treki, que substitui no cargo o nicaraguense Miguel d'Escoto.

A escolha do ex-ministro líbio ocorre ao mesmo tempo em que o líder do país norte-africano, Muammar Kadafi, exerce a Presidência da União Africana (UA), e quando Trípoli ocupa um dos cargos não-permanentes no Conselho de Segurança da ONU.

Além disso, Treki assume o novo cargo oito dias antes de o líder líbio discursar pela primeira vez perante a própria Assembleia Geral, durante a histórica e polêmica visita que realizará aos EUA, uma viagem que era impensável há alguns anos.

Kadafi tomará a palavra em terceiro lugar, depois do presidente dos EUA, Barack Obama, e deve assistir a uma reunião de alto nível do Conselho de Segurança da ONU sobre desarmamento nuclear que será presidida pelo líder americano.

"Este é o momento da verdade para a comunidade internacional, que tratou a Líbia de maneira tão incorreta", disse à Agência Efe o embaixador do Sudão perante a ONU, Abdalmahmood Abdalhaleem.

O representante de Cartum disse estar "muito feliz pelo fato de a Líbia reafirmar sua posição na comunidade internacional sem ter renunciado a seus princípios revolucionários".

Fontes diplomáticas europeias disseram à Efe que a Presidência de Treki na Assembleia Geral faz parte do processo de "normalização" das relações empreendido por Trípoli, desde que renunciou a seu programa de armas de destruição em massa, em 2003.

Essas mesmas fontes qualificaram o ex-embaixador líbio na ONU de uma figura "moderada" dentro do Governo de seu país, que atua com "profissionalismo" no campo diplomático, por isso não esperam que protagonize "surpresas" que possam desestabilizar o delicado equilíbrio do organismo mundial.

Em seu discurso inaugural, Treki disse que continuará o trabalho de seus antecessores de "reformar e democratizar" o funcionamento das Nações Unidas, e particularmente o do Conselho de Segurança.

Lembrou que regiões como África e América Latina não estão devidamente representadas no principal órgão da ONU, no qual cinco países ocupam uma vaga permanente (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido).

O novo presidente da Assembleia Geral pediu que os membros do órgão assumam um "novo e sério papel" na resolução do conflito do Oriente Médio, para que as resoluções da organização neste assunto sejam "respeitadas e implementadas".

Advertiu que o cumprimento das aspirações palestinas de independência e o retorno a suas terras são "duas condições fundamentais", enquanto pediu a Israel para retirar seus assentamentos dos territórios ocupados.

Além disso, anunciou que a Assembleia Geral realizará durante este novo período de sessões uma reunião de alto nível sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que precisam ser alcançados até 2015.

"O diálogo e o entendimento mútuo são a única maneira de resolver problemas", disse Treki, que qualificou de "infrutíferas" medidas de pressão como embargos e sanções, pois afirmou que "exacerbam o antagonismo e a rebelião, e prejudicam a vontade da comunidade internacional. Seu único efeito é na população".

A Líbia foi alvo de duras sanções por parte da ONU durante mais de uma década, depois que foi acusada de estar por trás da explosão em pleno voo de um avião da companhia Pan Am em 1988, quando o aparelho sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie, causando 269 mortes, incluindo 180 americanos.

Após anos de resistência, Kadafi aceitou entregar os dois suspeitos do atentado à Justiça escocesa e, gradativamente, iniciou uma aproximação com o Ocidente que acabou na suspensão das sanções impostas pela ONU, Estados Unidos e União Europeia (UE).

As relações com Washington voltaram a estremecer recentemente, depois da recepção festiva que a Líbia concedeu ao único condenado pelo atentado de Lockerbie, após o mesmo ser libertado pelas autoridades escocesas no mês passado por razões humanitárias. EFE jju/an

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