Libertários australianos pedem que papa não imponha crenças

Sydney (Austrália), 19 jul (EFE) - Libertários australianos pediram hoje em Sydney a Bento XVI que não imponha suas crenças à humanidade, durante uma manifestação pacifica e animada, mas carregada de teor político, realizada por ocasião da visita do pontífice à Austrália.

EFE |

"Não dizemos que o papa não tenha direito a suas visões reacionárias, dizemos que não queremos que seus pontos de vista determinem nossas políticas governamentais", explicou Cameron Murphy, diretor do Conselho de Nova Gales do Sul para as Liberdades Civis, ao apresentar o ato.

A concentração convocada pela Coalizão NoToPope reuniu centenas de pessoas e foi repetida com menor participação em outras cidades da Austrália.

O protesto terminou com um único detido, um peregrino que insultou e atacou um manifestante por vestir uma camiseta com a mensagem: "Papa, torne-se homossexual", que foi libertado mais tarde.

Um papamóvel de papelão, com um papa de boneco no interior, liderou a manifestação pelas ruas da cidade até o hipódromo de Randwick, onde os peregrinos da Jornada Mundial da Juventude tinham começado a se reunir para passar uma noite de vigília.

Sob o controle de centenas de policiais e o olhar atônito dos jovens religiosos, os manifestantes comunicaram sua mensagem e gritaram "os peregrinos são bem-vindos, o papa não".

"Não somos anti-religiosos e recebemos os católicos neste país", disse antes de começar a manifestação Rachel Evans, uma das criadoras da Coalizão, fundada recentemente contra a posição da Igreja Católica sobre os homossexuais, o aborto e a aids.

"Eu estou aqui como cristão", disse, por sua vez, o reverendo Karl Hand, da Igreja Comunitária Metropolitana, "mas nem todos os cristãos têm uma atitude anti-humanista", acrescentou.

Na manifestação havia camisetas e cartazes nos quais se liam frases como "eu não existo e Deus também não" ou "eu aceito você como Católico, você me aceita como lésbica?".

No ato houve representantes de organizações que defendem vítimas de abusos sexuais por parte de sacerdotes, além de seguidores de partidos políticos, como Irene Doutney, líder dos Verdes.

Ela lembrou o ambiente político que se respirava em 1978, quando, em Sydney, foi criado o movimento para a defesa dos direitos dos homossexuais com o evento anual do Mardi Gras.

"É muito duro que, 30 anos depois, voltemos a estar aqui, fazendo os mesmo pedidos", disse. EFE mg/db

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