Polícia de Moscou liberta opositores detidos em protesto contra Putin

Porta-voz do governo defende atuação de policiais durante manifestações contra vitória do premiê nas eleições presidenciais

iG São Paulo |

A polícia de Moscou anunciou nesta terça-feira a libertação de todos os cerca de 250 manifestantes detidos na véspera durante protestos contra a vitória do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, nas eleições presidenciais de domingo. De acordo com o resultado oficial, Putin teve 63% dos votos, mas a oposição e observadores internacionais denunciaram irregularidades no processo eleitoral .

De acordo com o porta-voz da polícia, Gennady Bogachev, a maioria dos manifestantes vai enfrentar acusações criminais que preveem pena de no máximo US$ 65 (cerca de R$ 113). Entre os detidos estavam líderes opositores como Ilya Yashin, Serguei Udaltsov e Alexei Navalny .

Leia também: Milhares protestam contra vitória de Putin na eleição presidencial

AP
Opositor russo Alexei Navalny fala durante protesto contra Putin em Moscou (05/03)

O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, defendeu a detenção dos manifestantes dizendo que a polícia atuou de maneira profissional e eficaz. “Os policiais mostraram alto nível de profissionalismo, legitimidade e eficácia”, afirmou, em comunicado, acrescentando que as autoridades planejam continuar impedindo protestos que não tenham sido autorizados.

Nesta terça-feira, a oposição convocou novas manifestações para o sábado (10). A ideia é fazer uma passeata em Moscou que termine na avenida Novo Arbat, perto da sede do governo, mas o local de concentração ainda será discutido com a prefeitura.

Leia também: Observadores internacionais denunciam irregularidades em eleição

Os protestos de segunda-feira reuniram cerca de 20 mil manifestantes em Moscou, segundo a Associated Press. Outros dois mil saíram às ruas em São Petersburgo, onde cem foram detidos - e não está claro se foram libertados como na capital.

Irregularidades

Apesar dos relatos de fraudes na eleição presidencial, a Comissão Eleitoral Central da Rússia (CEC) disse não esperar mais de cem denúncias de infrações. O secretário do órgão, Nikolai Konkin, afirmou que as denúncias se referem principalmente à apuração dos votos e que as atas dos colégios eleitorais estão sendo aguardadas.

Konkin negou a principal acusação feita pela oposição: a de que eleitores votaram mais de uma vez. "Nessas eleições, votaram 300 mil pessoas a menos que o total de cédulas distribuídas . Se tivessem votado várias vezes, dificilmente o número seria inferior", argumentou.

Ele afirmou que a CEC “não dispõe de ferramentas legais” para comprovar se houve desigualdade na cobertura jornalística da eleição, já que a oposição acusa o governo de ter usado meios de comunicação oficiais para favorecer Putin. O secretário também defendeu a legitimidade da CEC, dizendo que o órgão é formado por representantes de cinco partidos.

A Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que enviou 250 observadores para monitorar a eleição russa, em uma parceria com o Conselho Europeu, disse que a votação foi “claramente enviesada” a favor de Putin.

“Não houve competição e os abusos de recursos do governo fez com que nunca houvesse dúvida sobre quem ia vencer”, afirmou Tonino Picula. Em comunicado, ele disse que “o processo eleitoral se deteriorou no momento da apuração e evoluiu de forma negativa em pelo menos um terço das seções eleitorais”.

A votação ocorreu em meio a uma forte onda de protestos , indignação popular e ceticismo, provocada por acusações de que teriam ocorrido fraudes generalizadas a favor do partido de Putin, Rússia Unida, nas eleições parlamentares de dezembro.

A fim de aplacar os críticos, Putin anunciou a instalação de webcams nos 90 mil postos eleitorais do país, mas muitos na Rússia e entre a comunidade internacional questionam a eficácia da iniciativa. Em um relatório, a OSCE afirmou que ''câmeras não podem capturar todos os detalhes do processo de votação, em especial a contagem de votos''.

Com AP, AFP e EFE

    Leia tudo sobre: rússiaeleição na rússiaputinrússia unida

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG