Libertadas 52 crianças que faziam trabalho escravo na Índia

Nova Délhi, 22 jun (EFE).- Um total de 52 crianças escravas que trabalhavam no setor têxtil em condições sub-humanas foram libertadas hoje pelas forças de segurança indianas, com a ajuda de uma ONG, em Délhi.

EFE |

O responsável pela organização Bachpan Bachao Andolan (BBA), Kailash Satyarthi, contou à agência "Ians" sobre a dificuldade da operação, devido ao difícil acesso aos lugares onde os menores trabalhavam, construídos próximos ao esgoto, sem ventilação, nem luz natural.

"Tivemos que caminhar por charcos de águas residuais para alcançar os quartos. As crianças trabalhavam dia e noite, a 44 graus, em quartos fechados e sem ventiladores", afirmou Satyarthi.

Os menores eram obrigados a trabalhar entre 12 e 13 horas por dia, fazendo "zaris", um típico bordado do Sul da Ásia, feito com fios de ouro e prata e eram submetidos a surras de seu patrão.

As crianças de 8 a 14 anos são dos pobres estados de Bihar, no norte do país e Madhya Pradesh e Chhatisgarh, no centro, e eram obrigadas a trabalhar para um empresário que pagava uma quantia insignificante às famílias para levar-los a Délhi.

"Um conhecido deu 700 rúpias (aproximadamente 10,50 euros) a meu pai e disse que eu iria para uma escola muçulmana e faria algum trabalho ligeiro", disse Firoz, o mais jovem das crianças resgatadas, segundo a "Ians".

Mas ao chegar à capital indiana, o empresário o obrigou a costurar, depois de sessões de surras "sem motivo", além de mantê-lo fechado junto ao resto das crianças para que eles não pudessem sair à rua e contar às pessoas o que estava acontecendo, segundo afirmou o menino.

Segundo dados da BBA (em português, "Fundação Salvemos à Infância"), aproximadamente 50 mil crianças trabalham como escravos na indústria do "zari" e mais 35 crianças vítimas do tráfico de menores chegam a Délhi a cada dia. EFE sp/pd

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