Libertada Ingrid Betancourt, uma ousada e polêmica líder política

Ingrid Betancourt, resgatada nesta quarta-feira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), é considerada uma política ousada e polêmica.

AFP |

Betancourt, 46 anos, foi capturada no dia 23 de fevereiro de 2002 pelas Farc quando tentava entrar numa zona desmilitarizada do sul do país, três dias depois de o então presidente, Andrés Pastrana, cancelar o processo de paz com essa guerrilha.

Um recente vídeo de Ingrid comoveu o mundo. Na gravação, a ex-senadora apareceu cabisbaixa, aparentemente esgotada e extremamente magra.

Suas múltiplas tentativas de fuga, as longas marchas na selva, as noites que passou acorrentada e os constantes conflitos com seus captores parecem ter acabado psicologicamente com esta mulher corajosa e carismática.

"Eles (os guerrilheiros) me tiraram tudo. Tento ficar silenciosa, falo o mínimo possível para evitar os problemas. Não tenho vontade de nada", escreveu Ingrid, na última carta enviada a sua mãe.

As circunstâncias do seqüestro mostraram muito de sua personalidade: ela chegou a ser advertida pelas autoridades sobre os riscos que corria em meio à ofensiva para retomar a área de distensão, mas disse que havia se comprometido a visitar os moradores de San Vicente del Caguán, sede do diálogo.

Em um vídeo divulgado pelas Farc em julho de 2002 como prova da sobrevivência de Ingrid, ela deu mostras de seu caráter, destacando sua divergência com relação à lei de troca proposta pelos rebeldes, desperdiçando a chance que teve de reivindicar sua liberdade.

Esta posição foi reforçada em outro vídeo divulgado no dia 31 de agosto de 2003 em que expressou concordância com um resgate militar, desde que a decisão fosse tomada pelo presidente Alvaro Uribe e apesar da oposição de sua família.

"Ela é terrivelmente disciplinada, voluntariosa, independente. Quando quer alguma coisa é cabeça-dura, de caráter... Eu a admiro. Ela encara as coisas de frente. Chamou o ex-presidente Ernesto Samper de criminoso, ela é inflexível, amiga da verdade, não se deixa convencer facilmente", desabafou sua mãe, Yolanda Pulecio.

Liliane Estefan, uma amiga de infância, lembra dela como uma mulher inteligente, ambiciosa, intelectual, com um grande poder de persuasão e tendências de esquerda".

"Ela sabe comandar, tem uma personalidade muito forte, dominante. Sempre a vi lutar pelas causas sociais. Desde o colégio ela se interessava pelos problemas do país", comentou à AFP.

Nascida em Bogotá e também com nacionalidade francesa, ela tornou-se cientista política pelo Instituto de Ciências Políticas de Paris.

Decidiu lançar sua candidatura à presidência depois de passar pelo Congresso, onde chegou em 1998 com 160.000 votos, a mais alta votação obtida por um candidato na Colômbia.

No total, 1.112 cidades do mundo a declararam cidadã honorária, e um grupo de deputados franceses propôs sua candidatura ao Prêmio Nobel da Paz.

A ex-senadora publicou na França seu livro "La rabia en el corazón" (A raiva no coração).

Betancourt conta em seu livro as ameaças de morte que ela sofreu com seus filhos adolescentes, Melanie e Lorenzo, a perseguição política do Estado e as vezes que viajou para a Nova Zelândia e para a França para fugir dessas intimidações.

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