Libertada a ícone da democracia birmanesa Aung San Suu Kyi

A "Dama de Yangun" e Prêmio Nobel da Paz, odiada pelo general Than Shwe, que lidera a Junta Militar, estava presa desde 2003

iG São Paulo |

A opositora Aung San Suu Kyi, de 65 anos, símbolo da luta pela democracia em Mianmar (antiga Birmânia), foi libertada neste sábado após mais de sete anos consecutivos de prisão domiciliar.

Assim que barricadas cercando sua casa em Yangun, a maior cidade do país, foram removidas, ela apareceu com um vestido lilás na porta de sua casa, onde 3 mil seguidores a aguardavam para celebrar sua libertação.

Suu Kyi os convidou a trabalhar "juntos" pelo futuro do país e a ouvi-la ao meio-dia de domingo (03h30 de Brasília) na antiga sede de seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND, dissolvida). Horas antes da libertação, seu advogado Nyan Win disse que ela não aceitaria ser solta caso fosse proibida de exercer atividades políticas.

Fontes em Mianmar informam também que a Nobel da Paz já falou com seu filho mais novo, que vive na Tailândia, pelo telefone. Ele ainda não conseguiu um visto para voltar ao país.

Sua mais recente condenação terminou neste sábado, menos de uma semana depois das primeiras eleições organizadas no país em duas décadas , consideradas uma farsa pelo Ocidente.

A "Dama de Yangun", Prêmio Nobel da Paz de 1991, odiada pelo general Than Shwe, que lidera o governo militar do país, estava presa desde 2003. Ela passou 15 dos últimos 21 anos encarcerada em diferentes ocasiões. A Junta Militar que governa o país restringiu suas viagens e sua liberdade de associação durante os breves períodos de liberdade, e exigiu que ela deixasse a política.

Sua libertação estava prevista inicialmente para maio de 2009, mas o mórmon americano John Yettaw conseguiu chegar a nado até sua casa em Yangun, que fica à beira de um lago. Como punição, a Junta Militar impôs à dissidente mais 18 meses de prisão domiciliar.

Líder da oposição

Suu Kyi, líder da oposição em Mianmar, é reconhecida internacionalmente pela luta incansável, travada por mais de 20 anos, pela democracia em seu país.

A vencedora do Prêmio Nobel da Paz é muitas vezes comparada a Nelson Mandela, que passou 27 anos em prisões sul-africanas antes de desempenhar papel político pleno.

Suu Kyi sempre alegou inocência, denunciando o caráter parcial das acusações atribuídas a ela pelo governo birmanês.

Suu Kyi, filha do herói da independência do país, o general Aung San, que foi assassinado, é vista como poderosa ameaça pela ditadura militar. "É um ícone que inspira as pessoas, sempre sujeitas ao reino do medo", disse Sunai Phasuk, da Human Rights Watch.

Suu Kyi e seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), conseguiram infligir grande derrota aos militares nas legislativas de 1990. Na época, a LND conquistou 392 das 485 cadeiras em disputa. Após a vitória esmagadora, Suu Kyi foi posta em prisão domiciliar pela Junta Militar.

Nascida em 19 de junho de 1945, Suu Kyi iniciou seus estudos em Yangun e os continuou na Índia, onde sua mãe foi nomeada embaixadora em 1960. Depois fez Oxford. Assistente da Escola de Estudos Orientais em Londres, ela se casou em 1972 com o acadêmico britânico Michael Aris, com quem teve dois filhos.

Retornou a Mianmar em abril de 1988. Sua volta ao país coincidiu com o início de uma revolta popular contra a repressão política, marcada pelo declínio econômico.

*Com BBC e AFP

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