Israel libertou na manhã desta segunda feira 198 prisioneiros palestinos para demonstrar sua disposição em relação às negociações de paz. A libertação dos prisioneiros, principalmente de dois que estiveram envolvidos na morte de israelenses, gera polêmica em Israel, e coincide com uma visita da secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, à região para negociar um plano de paz.

Os homens foram entregues à Autoridade Palestina no ponto de checagem próximo à cidade de Ramallah, na Cisjordânia.

Em Bitunia, os prisioneiros foram recebidos por centenas de palestinos e de lá foram ao quartel general da Autoridade Palestina em Ramallah, onde se encontraram com o presidente palestino Mahmoud Abbas.

Entre os prisioneiros libertados se encontram dois - Mohammed Ibrahim Abu Ali, preso desde 1980, e Said al-Attaba, desde 1977 - cuja libertação provoca especial polêmica, pois, segundo o governo de Israel, "têm as mãos manchadas de sangue" por se envolver na morte de israelenses.

O gabinete do primeiro ministro de Israel, Ehud Olmert, divulgou uma nota afirmando que "os prisioneiros libertados pertencem a facções que apoiam o presidente palestino Mahmoud Abbas e a libertação é um gesto para intensificar o diálogo com parceiros que tem um compromisso com a diplomacia e se opõem ao terrorismo".

"A libertação dos prisioneiros demonstra a disposição por parte de Israel de fazer concessões dolorosas a fim de promover as negociações de paz", concluiu a declaração de Olmert.

O ministro da Autoridade Palestina, Ashraf El Ajami, responsável pela questão dos prisioneiros, declarou que "a libertação é um passo positivo".

"Espero que em breve Israel liberte mais milhares de prisioneiros", disse o ministro.

Mais de 11 mil palestinos permanecem detidos nas prisões israelenses.

Polêmica
Politicos de partidos da direita em Israel criticaram a decisão do governo e afirmaram que a libertação dos prisioneiros é "um ato de fraqueza, que vai incentivar ainda mais o terrorismo".

A Organização das Vítimas do Terror entrou com um recurso no Supremo Tribunal de Justiça contra a libertação dos prisioneiros, mas o recurso foi rejeitado pela Corte.

Porém, nem todos os israelenses que foram vítimas de atentados por parte de palestinos se identificam com a posição dessa organização.

A professora de Literatura da Universidade de Tel Aviv Nurit Peled Elhanan perdeu sua filha, Smadar, de 14 anos, em um atentado suicida cometido em Jerusalém em 1997.

Apesar disso, Elhanan, 59, apóia a libertação dos prisioneiros palestinos e acusa as lideranças politicas de ambos os lados de "fazer um jogo cínico com seres humanos".

Em entrevista à BBC Brasil Elhanan afirmou que "esse discurso contra libertar prisioneiros com as 'mãos manchadas de sangue' é um absurdo".

"Milhares de israelenses que serviram no Exército têm as mãos manchadas de sangue de palestinos e não foram julgados e nem mesmo interrogados", disse.

"Tenho uma amiga palestina, Salwa Aramin, que está em uma situação intolerável", contou. "Sua filha, Abir, de 10 anos, foi morta por um soldado israelense há um ano."
"Abir foi assassinada, com um tiro na cabeça, quando saía da escola, em Anata (Jerusalem Oriental). O soldado nem foi interrogado, a queixa da familia foi arquivada", disse.

"No nosso caso, o assassino de Smadar se suicidou, mas no caso de Abir, o assassino continua livre, impune. Tanto nós, as mães israelenses que perderam seus filhos, como as mães palestinas somos vitimas da ocupação."
"Nós, os civis, somos todos vítimas dessa política cínica", afirmou Elhanan.

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