Libertação de Megrahi e desculpas da Suíça: um triunfo diplomático da Líbia

Ao obter a libertação do líbio condenado pelo atentado de Lockerbie e um pedido de desculpas da Suíça pelo caso de seu filho Hannibal, Muammar Kadhafi conseguiu um importante sucesso diplomático, a uma semana do 40º aniversário de sua chegada ao poder.

AFP |

A libertação, na quinta-feira, de Abdelbaset Ali al-Megrahi, depois de um longo imbróglio judiciário e diplomático, coincidiu com a viagem inesperada a Trípoli do presidente da Confederação Helvética, Hans-Rudolf Merz, com o objetivo de apresentar um pedido de desculpas formal pela detenção, em julho de 2008, de Hannibal Kadhafi, um caso que afetou as relações entre os dois países.

Recebido como um herói no aeroporto militar de Maatinga, em Trípoli, apesar das críticas de Washington e Londres, Megrahi era considerado oficialmente pela Líbia um "refém político" do Ocidente.

"Consideramos que Megrahi é um combatente que se sacrificou por sua pátria, e temos que respeitá-lo", declarou à AFP Ahmed Zwei, o ex-embaixador da Líbia em Londres, que desempenhou um papel fundamental na libertação do terrorista.

"Estamos felizes com sua volta, e consideramos que sua libertação é um sucesso para a Líbia", enfatizou.

Para um jornalista líbio, a recepção calorosa organizada para Megrahi é "uma revanche sobre o Ocidente, que promoveu uma recepção semelhante para as enfermeiras e o médico búlgaros libertados em julho de 2007 após oito anos de detenção na Líbia".

As enfermeiras e o médico haviam sido condenados à morte por ter supostamente inoculado o vírus da Aids a crianças líbias.

Outrora considerada uma "patrocinadora" do terrorismo internacional, a Líbia é vista agora como um interlocutor crucial para a luta contra o terrorismo ou a resolução dos conflitos na África, onde o país vem investindo muito dinheiro.

Trípoli deve em grande parte seu ressurgimento diplomático ao petróleo, sempre no centro de suas discussões com o Ocidente.

"Ao acenar com contratos de bilhões de dólares, a Líbia negocia frenquentemente numa posição de força, sobretudo nesses tempos de crise", explicou um diplomata ocidental em Trípoli.

Assim, o presidente Merz teve que acatar as exigências da Líbia e apresentar, quinta-feira, um pedido de desculpas pela "detenção injustificada" de Hannibal Kadhafi.

Irritada com a detenção, a Líbia suspendeu em outubro de 2008 as entregas de petróleo para a Suíça, retirou dos bancos suíços bens avaliados em cinco bilhões de euros, interromperam os programas de cooperação entre os dois países e impuseram restrições às empresas suíças.

Muito criticado pela imprensa de seu país, o presidente da Confederação Helvética afirmou ter alcançado as duas metas que tinha definido ao viajar à Líbia: resolver o "caso Hannibal" e obter o retorno das companhias suíças ao mercado líbio.

As desculpas foram qualificadas nesta sexta-feira de "humilhação" pela imprensa suíça, para quem a Confederação teve que "se curvar" diante do dirigente líbio renegando o estado de direito.

Com estas duas vitórias diplomáticas, Kadhafi, que preside a União Africana, pode comemorar com os ânimos renovados o 40º aniversário de sua chegada ao poder, em 1 de setembro, antes de viajar a Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, cuja presidência também é exercida pela Líbia.

ila/yw

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