Libertação de líder islamita provoca crise entre Índia e Paquistão

Islamabad, 2 jun (EFE).- Paquistão e Índia tiveram hoje a primeira controvérsia após a formação do novo Governo indiano devido à decisão de um tribunal paquistanês de libertar um líder islamita acusado por Nova Délhi de estar por trás do massacre ocorrido em novembro de 2008 na cidade de Mumbai.

EFE |

O Tribunal Superior de Lahore ordenou a libertação de Hafiz Mohammed Said, líder da organização banida Jamaat-ud-Dawa (JuD).

Said apresentou um pedido de habeas corpus e estava sob prisão domiciliar há quase seis meses.

O JuD é acusado por Índia e Estados Unidos de ter ligações com o grupo islamita da Caxemira Lashkar-e-Toiba (LeT), com base no Paquistão, que foi fundado pelo mesmo Said.

A Índia responsabilizou o LeT pelo atentado de Mumbai, algo queo Paquistão também admitiu meses depois.

"Tudo foi propaganda da Índia", disse um exultante Said após conhecer a decisão judicial, segundo a imprensa paquistanesa.

Para o líder do JuD, o Paquistão atuou sob pressão dos EUA para encontrar "inexistentes" vínculos de sua organização com a rede terrorista Al Qaeda.

A Índia, que pediu a entrega de dezenas de supostos terroristas ao Governo paquistanês após o atentado de Mumbai - entre eles o próprio Said -, duvidou hoje da "sinceridade" do Paquistão na luta contra o terrorismo.

"Estamos decepcionados com a libertação de Hafiz Said", reagiu o Ministério de Assuntos Exteriores indiano em comunicado.

Após lembrar que a ONU considera o LeT e o JuD como grupos terroristas, Nova Délhi assegurou que a ordem judicial "gera sérias dúvidas sobre a sinceridade do Paquistão" em sua investigação sobre Mumbai e em sua ação contra "grupos e indivíduos terroristas que operam em seu território".

Este é o primeiro conflito diplomático entre os dois países desde a formação de um novo Governo indiano no último dia 22.

Por enquanto, o Governo paquistanês não se pronunciou de forma oficial sobre a ordem judicial.

Consultado pela Agência Efe, o porta-voz de Assuntos Exteriores paquistanês, Abdul Basit, explicou que o Governo do país está estudando a sentença, mas evitou fazer comentários a respeito e se limitou a reconhecer que "é um assunto de preocupação para o Paquistão". EFE igb-amp/bba

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