Libertação de jornalistas diminui tensão entre EUA e Coreia do Norte

Fernando Mexía. Los Angeles (EUA), 5 ago (EFE).- A chegada aos Estados Unidos das duas jornalistas condenadas na Coreia do Norte ajudou a diminuir a tensão entre os dois países, cuja relação passa por um dos piores momentos devido às últimas ações nucleares do regime comunista.

EFE |

O Governo americano, porém, ressaltou que as gestões para soltar as duas repórteres foram à margem de qualquer negociação sobre a desnuclearização do país asiático.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ressaltou que a mesa de diálogo com o regime de Kim Jong-il permanece aberta para "discutir assuntos bilaterais no contexto regional".

"Essa ainda é a oferta", disse.

A missão humanitária liderada pelo ex-líder Bill Clinton, o marido de Hillary, terminou pouco antes de 6h em Los Angeles (10h de Brasília), quando o avião chegou ao aeroporto de Burbank.

Laura Ling, de 32 anos, e Euna Lee, de 36, estavam presas desde março na Coreia do Norte, acusadas de entrar ilegalmente no país e atuar contra o Governo norte-coreano quando faziam uma reportagem sobre refugiados na região fronteiriça com a China.

Após meses de incerteza, Ling e Lee abraçaram hoje seus parentes, que as aguardavam ansiosos na pista de aterrissagem.

"Estamos outra vez em casa e livres", disse Ling, que, junto com Lee, enfrentava uma pena de 12 anos em uma prisão norte-coreana.

"Temíamos que nos levassem a um campo de trabalho. Sem mais aviso fomos a um lugar para uma reunião, e, quando a porta foi aberta, vimos o presidente Clinton. Ficamos emocionadas e soube que o pesadelo de nossas vidas chegava ao fim", disse Ling, ao contar como foi sua libertação.

O sucesso da viagem de Clinton foi recebido com grande satisfação pela Casa Branca, que tinha autorizado a gestão, mas desvinculou o tempo todo a diplomacia oficial desta visita a Pyongyang, a qual foi considerada uma "missão privada".

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que a libertação das jornalistas "é uma fonte de alegria para todo o país", e disse que seu Governo se sente "enormemente aliviado".

Obama elogiou o papel desempenhado por Bill Clinton, que reapareceu na linha de frente política e diante da opinião pública com ares de herói diplomata e a quem a Casa Branca não descarta conceder algum papel oficial no futuro, conforme comentou hoje o porta-voz do Governo, Robert Gibbs.

A visita de Bill Clinton à Coreia do Norte ajudou a diminuir a tensão que domina as relações entre os dois Governos, que, para o ex-embaixador americano nas Nações Unidas Bill Richardson, pioraram durante os últimos meses até alcançar um ponto crítico.

"Estão tão ruins como nunca as tinha visto", afirmou o diplomata esta semana.

A Casa Branca negou reiteradamente que Clinton tenha aproveitado a viagem e a reunião de mais de três horas com Kim Jong-il para enviar uma mensagem de Obama ou para debater o espinhoso assunto da desnuclearização da península coreana.

No entanto, a presença do chefe negociador norte-coreano em matéria nuclear, Kim Kye-gwan, na comitiva que recebeu Clinton em Pyongyang e o fato de o ex-presidente ter viajado acompanhado de David Straub, que foi chefe de assuntos coreanos do departamento de Estado, levaram os analistas a questionar a versão oficial.

O encontro entre Kim e Clinton serviu também para lançar um pouco de luz sobre o estado de saúde do líder do regime comunista, sobre o que as informações são escassas e frequentemente pouco confiáveis, por causa do forte controle midiático exercido pelas autoridades norte-coreanas.

As fotografias mostraram um Kim em aparente boa forma, o que gerou dúvida sobre os rumores de que o líder comunista estava à beira da morte após supostamente ter sofrido um infarto e um câncer de pâncreas.

Este ano, a Coreia do Norte voltou a desafiar a comunidade internacional com novos testes nucleares e o lançamento de vários mísseis, o que jogou por terra os avanços alcançados nas chamadas conversas de seis lados para a desnuclearização da península de Coreia.

Estas negociações começaram em 2003 e contam com a participação de Estados Unidos, Japão, Rússia, China e as duas Coreias. EFE fmx/db

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