Associações de vítimas muçulmanas e croatas da guerra da Bósnia reagiram com ira nesta terça-feira ao anúncio pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Iugoslávia da libertação antecipada da ex-presidente dos sérvios da Bósnia, Biljana Plavsic.

O TPI anunciiou nesta terça a libertação antecipada de Plavsic, condenada a 11 anos de prisão por crimes de guerra.

"Tal medida pode até ser conforme à lei internacional, mas não tem nada a ver com justiça", declarou à AFP Murat Tahirovic, que dirige uma associação de ex-prisioneiros de guerra muçulmanos e croatas.

"Como vamos explicar esta decisão às crianças que tiveram os pais assassinados" durante a guerra da Bósnia (1992-1995)?, perguntou.

"Plavsic teve uma boa conduta durante a prisão", assinalou o TPI em sua decisão.

"Como é possível que Plavsic seja libertada enquanto eu, 14 anos depois da guerra, ainda nem encontrei os restos mortais do meu filho"?, perguntou Munira Subasic, líder de uma associação de sobreviventes do massacre de Srebrenica, perpetrado pelas forças sérvias da Bósnia em julho de 1995, denunciando "o apoio (do mundo) aos criminosos de guerra".

Cerca de 8.000 muçulmanos foram massacrados em Srebrenica.

Para Bakira Hasecic, que dirige uma associação de mulheres croatas e muçulmanas vítimas de estupros durante o conflito, a decisão do TPI é "uma triste notícia". "Isso mostra que o mundo aprova o genocídio e a agressão", afirmou.

Biljana Plavsic, 79 anos, foi condenada em fevereiro de 2003 pelo TPI as 11 anos de prisão por seu papel na campanha das forças sérvio-bósnias contra os muçulmanos e os croatas da Bósnia durante a guerra.

Ela está cumprindo pena na Suécia.

De acordo com a lei sueca, ela poderá ser libertada em 27 de outubro, quando terá cumprido os dois terços de sua pena.

sar/yw

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