Libertação de ex-deputado encerra operação que soltou 6 das Farc

Fernando Muñoz. Cali (Colômbia), 5 fev (EFE).- O ex-deputado Sigifredo López, sequestrado em 2002 e único sobrevivente do massacre de um grupo de políticos colombianos cativos, foi entregue hoje pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em uma operação que já devolveu a liberdade a seis reféns desde domingo passado.

EFE |

López foi sequestrado junto a outros 11 deputados em 11 de abril de 2002 na sede da Câmara de Cali, capital do departamento (estado) de Valle del Cauca, e sobreviveu ao massacre desse grupo em 18 de junho de 2007.

O político é também o último dos seis reféns que as Farc se comprometeram, em dezembro passado, a libertar de forma unilateral.

Nesta quinta-feira, o ex-deputado foi recebido nas selvas do sudoeste colombiano por uma missão formada pela Cruz Vermelha Internacional, a senadora Piedad Córdoba e pilotos do Brasil, que cedeu também dois helicópteros para a missão humanitária.

Quando chegou a Cali, da mesma forma que o ex-governador de Meta Alan Jara quando foi libertado na terça-feira, López pediu "a troca de prisioneiros" como primeiro passo para se chegar à paz na Colômbia.

"É preciso optar pela libertação unilateral de todos os civis e a troca de prisioneiros combatentes", disse o político em suas primeiras declarações em liberdade após quase sete anos preso nas selvas colombianas.

Essa é a única "possibilidade de trazer com vida os 22 militares que no momento estão amarrados a uma árvore há dez anos", afirmou.

O ex-refém se referia, assim, ao grupo de sequestrados que as Farc consideram passíveis de troca por 500 rebeldes presos.

Na declaração mais esperada do dia, o ex-deputado confirmou que os 11 legisladores do Valle foram assassinados pelas Farc e que esse massacre não aconteceu durante um enfrentamento com o Exército.

Assim, ele derrubou a versão das Farc, que afirmavam que os deputados tinham morrido durante uma operação militar de resgate.

"Não houve combate, nem helicópteros, nem nada", detalhou, ao explicar que se salvou porque tinha sido castigado e trancado em um local afastado dias antes porque tinha elevado a voz em uma discussão com outro refém.

Após quatro dias isolado, na manhã de 18 de junho de 2007, ele escutou primeiro dois disparos, em seguida outros dois, para depois ouvir longas rajadas.

Dias depois, soube pela rádio que seus companheiros tinham morrido. "Não posso dizer o que aconteceu, porque não sei. Eu imaginava um resgate, mas se tivesse havido um resgate, teria escutado helicópteros, se tivesse havido um resgate, a guerrilha não ficaria ali", argumentou.

López também agradeceu a Piedad Córdoba, que intermediou em sua libertação. "Ela parece aquelas mulheres valentes dos romances de José Saramago", afirmou o político, antes de fazer um pedido aos líderes locais em prol da paz na Colômbia.

"Aqui a oposição acusa Álvaro Uribe de ser um paramilitar, o presidente diz que a oposição é amiga do terrorismo. Os cidadãos estão escutando isso e se demonstrou que o povo quando escuta que a violência é legitimada pelo poder, repete essas ações", argumentou.

"Quero convidá-los a acender a vela da liberdade, da tolerância, da democracia, ao grande consenso nacional", manifestou.

Já Uribe agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio logístico dado durante a entrega dos seis sequestrados, enquanto deu boas-vindas a Sigifredo López.

Os reféns que as Farc libertaram desde domingo são os policiais Alexis Torres, Walter José Lozano, Juan Fernando Galícia, o soldado William Giovanni Domínguez, o ex-governador de Meta Alan Jara, além do ex-deputado López. EFE fer/rr

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