Libertação de americano pela Coreia do Norte abre esperança de diálogo

Seul, 6 fev (EFE).- A Coreia do Norte libertou hoje o missionário americano Robert Park, detido em 24 de dezembro do ano passado por entrada ilegal no país, em um gesto de aproximação aos EUA em meio aos esforços internacionais para reativar o diálogo nuclear com Pyongyang.

EFE |

Park, de 28 anos, chegou hoje a Pequim, um dia depois que o regime comunista norte-coreano anunciou sua intenção de libertá-lo depois que "admitiu seus erros" e demonstrou "sincero arrependimento", informou a agência de notícias sul-coreana "Yonhap".

O missionário tem origem coreana, e pertence a um dos grupos cristãos que condenam a situação dos Direitos Humanos na Coreia do Norte. Ele entrou no país através da fronteira com a China.

Antes de viajar, o missionário declarou em Seul que tinha intenção de entregar uma carta ao líder norte-coreano, Kim Jong-il, para pedir o fechamento dos campos de trabalho em seu país. Além disso, tinha dito que não queria ser libertado pelo Governo americano caso fosse preso.

Ao chegar ao aeroporto de Pequim, Park se mostrou exausto e não quis falar com os jornalistas.

Segundo fontes da embaixada americana em Seul, citadas pela "Yonhap", o ativista, que vive em Tucson (no estado americano do Arizona), poderia partir hoje mesmo para os EUA.

A Coreia do Norte mantém detido desde o dia 25 de janeiro outro americano, cuja identidade não foi revelada, e que segundo a agência estatal norte-coreana "KCNA" também tentou entrar "ilegalmente" no país.

A libertação de Park aconteceu em meio aos esforços para reacender as negociações sobre o desarmamento nuclear norte-coreano, suspensas desde dezembro de 2008.

Está previsto que Lynn Pascoe, enviado especial da ONU para a Coreia do Norte, viaje a Pyongyang na próxima semana para abordar, entre outras questões, como retomar o diálogo nuclear de seis lados, do qual participam as duas Coreias, EUA, China, Japão e Rússia.

A viagem acontece após a reivindicação do governo norte-coreano para que sejam suspensas as sanções da ONU contra seu país antes de retomar as conversas.

Os EUA garantem que as sanções serão canceladas quando o regime comunista norte-coreano retomar o diálogo para sua desnuclearização.

Pascoe, que também é vice-secretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, afirmou hoje em Seul que espera tratar com as autoridades norte-coreanas "todos" os assuntos, informou a "Yonhap".

O enviado da ONU viajará esta segunda-feira à China, de onde deve embarcar em um voo rumo a Pyongyang.

Sua visita acontece quase simultaneamente à de um enviado da China, o responsável do Departamento Internacional do Partido Comunista chinês, Wang Jiarui, com a aparente missão de facilitar o reatamento do diálogo.

Wang deixou hoje a capital chinesa rumo a Pyongyang para uma visita de quatro dias. Está previsto que ele se reúna com Kim Jong-il.

O enviado de Pequim entregará ao líder norte-coreano uma carta do presidente da China, Hu Jintao, como parte de uma visita considerada rotineira, mas que, segundo fontes diplomáticas, poderia trazer "uma mudança significativa" em relação às conversas de seis lados, das quais a China é país anfitrião.

Em meio ao trabalho diplomático para reviver o diálogo, a libertação de Park foi recebida como um gesto dirigido a melhorar as relações com Washington, assinalou a "Yonhap".

Park foi o terceiro americano detido no ano passado na Coreia do Norte, depois que duas jornalistas foram presas em março na fronteira com a China enquanto gravavam imagens para um documentário.

As duas foram libertadas em agosto graças à mediação do ex-presidente americano Bill Clinton. EFE ce-mic/fm

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