CARACAS - A liberdade de expressão na América Latina vive momentos difíceis, especialmente na Venezuela e em outros países da órbita do presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse Robert Rivard, membro da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), durante um fórum realizado nesta sexta-feira em Caracas.

Reuters
Profissionais da imprensa aproveitam fórum da SIP para prostestar em Caracas

Profissionais da imprensa aproveitam fórum em Caracas para prostestar

"Estamos muito preocupados com os ataques contra a imprensa na Venezuela", manifestou Rivard, diretor do jornal americano "San Antonio Express-News" e presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da SIP, no início do Fórum de Emergência sobre Liberdade de Expressão.

"Se há leis para restringir a liberdade de expressão, é possível falar de liberdade e de democracia?", questionou Gonzalo Marroquín, do jornal guatemalteco "Prensa Libre" e vice-presidente da SIP, em referência ao cancelamento da concessão de funcionamento de mais de 30 emissoras de rádio e das sanções contra o canal de televisão opositor "Globovisión", decretadas pelo governo de Chávez.

Membros do fórum disseram ter encaminhado convites para representantes do governo venezuelano e da imprensa estatal, sem obter resposta.

A ministra da Comunicação venezuelana, Blanca Eekhout, disse que o fórum da SIP em Caracas faz parte da campanha "do império" contra os governos progressistas da região.

Para Eekhout, "a unidade povo-governo que existe, por exemplo, na Argentina, Equador e Venezuela, onde se mudou ou se procura mudar leis que regem o jornalismo que permitem o terrorismo midiático, evidencia que é possível ter governos absolutamente identificados com seus povos".

"Por isso a SIP está aqui, para que esta ideia não se propague", ressaltou a ministra no primeiro Encontro Latino-americano de Contrainformação e Comunicação Popular, convocado para fazer frente à reunião da organização continental que reúne donos e diretores de veículos de imprensa.

Segundo Eekhout, a SIP é uma entidade "mafiosa" que "não tem nada a ver com o momento histórico e suas campanhas, mentiras e ameaças já não ameaçam nossos povos".

A ministra disse que a reunião da SIP em Caracas prova que "a Venezuela é um país totalmente democrático, uma democracia das mais sólidas do mundo, que tem como princípio o direito de expressão para todos". "O que não podemos permitir é que as oligarquias achem que os direitos são seus privilégios", concluiu Eekhout.

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