Liberal, Coffee Party nasce nos EUA para desbancar Tea Party

Washington, 13 mar (EFE).- Uma série de reuniões em 400 cafeterias deu hoje aos Estados Unidos um novo grupo político de pressão, o Coffee Party, movimento liberal surgido de maneira espontânea no Facebook para concorrer com o conservador Tea Party.

EFE |

O Coffee Party nasce com um espírito de cooperação e com a intenção de dar voz aos americanos que, com diferentes experiências, idades, ideais políticos e até geograficamente distantes, querem contribuir com a política do país.

"Como eleitores e voluntários de base, vamos apoiar os líderes que trabalham em prol de soluções positivas e responsabilizar os que impedem isso", diz o grupo no seu site.

A ideia surgiu na internet, mas hoje se tornou realidade quando centenas de pessoas anônimas foram, sem saber muito bem o que teriam pela frente, a algum dos 400 estabelecimentos que se ofereceram para receber as reuniões.

"Reunimos um grupo de gente fantástica, foi muito emocionante e tivemos uma troca de ideias estupenda", disse à Agência Efe Jeannine Stepanian, membro do Coffee Party, após participar de um encontro na cafeteria e livraria Busboy & Poets, na capital americana.

Entre os temas abordados estão a participação dos EUA nos conflitos no Iraque e no Afeganistão e a reforma no sistema de saúde.

No Coffee Party também há vozes críticas, mas o grupo considera que "o Governo federal não é o inimigo do povo, mas a expressão da vontade coletiva". Por isso, pede a todos, de qualquer partido, que participem do processo democrático dialogando e com um café na mão.

A fundadora do movimento, Annabel Park, uma cineasta de 41 anos, cansada com a repercussão dada pela imprensa às ações do grupo Tea Party, propôs no Facebook um grupo alternativo.

"Comecemos um Coffee Party, um Red Bull Party. Qualquer coisa, menos Tea (chá). Que tal um Cappuccino Party? Nos reunamos e bebamos cappuccino com um verdadeiro diálogo político", escreveu então.

A ideia agradou a seus amigos e se expandiu rapidamente na internet, onde em apenas seis semanas obteve 100 mil seguidores, a maioria deles nos últimos 15 dias, quando a iniciativa despertou a atenção da mídia.

A fundadora assegura que o movimento não está alinhado com nenhum partido político, embora seus ideais vão mais na linha democrata. Os conservadores lembram ainda que Annabel participou como voluntária na campanha eleitoral de Barack Obama, em 2008.

Annabel reitera que a intenção é fornecer ideias construtivas, ao contrário, segundo ela, do Tea Party, que durante meses organizou manifestações contra o Governo Obama. O presidente foi acusado pelo grupo de ser "socialista" pelas medidas que leva à frente para combater a crise e pela proposta de reforma no sistema de saúde.

O grupo ressalta que sua força está na diversidade e acredita que discutir isso de diferentes pontos de vista "é a melhor maneira de conseguir o bem comum".

Em declarações a uma emissora local, Annabel assinala que o dia de hoje é um caminho para pôr em prática a democracia e assegurou que, apesar de o grupo ter surgido como uma reação às ações dos conservadores, o Coffee Party não pode ser visto como um grupo "anti-Tea Party".

Annabel afirmou que os membros do Coffee Party também não se sentem representados totalmente pelo Governo federal e considerou que os dois grupos têm muito o que falar. "Acho que é importante para nós conhecer gente do Tea Party e se sentar para tomar um café ou um chá com eles", apontou.

Os participantes do Coffee Party esperam voltar a se reunir no próximo dia 27 de março e planejam uma convenção nacional e uma manifestação em Washington, como foi feito pelo grupo conservador.

O Tea Party, que também nasceu como uma corrente espontânea, ganhou visibilidade em abril do ano passado com a convocação de centenas de manifestações simultâneas em todo o país em protesto pela política da Casa Branca contra a crise.

Seu nome faz referência ao motim de 1773 dos colonos americanos.

Naquele ano, cansados dos impostos cobrados pelo Governo britânico, eles jogaram cargas de chá no porto de Boston.

"Depois que jogaram o chá no porto, o Congresso Continental declarou o café a bebida nacional", lembrou a fundadora do Coffee Party. EFE elv/rr

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