Liberais ganham força e podem dar guinada na política moldávia

Sergio Imbert. Moscou, 29 jul (EFE).- A oposição liberal moldávia, partidária da aproximação com o Ocidente, pode tirar dos comunistas o controle do Parlamento e, assim, formar novo Governo, segundo uma pesquisa de boca-de-urna divulgada hoje ao fim das eleições no país.

EFE |

De acordo com a pesquisa, o Partido dos Comunistas, que governa a Moldávia desde 2001, obteria no novo Legislativo 43 das 101 cadeiras, enquanto as quatro forças da oposição somariam juntas 58 deputados.

Além do PC, ao Parlamento teriam acesso quatro legendas opositoras, uma mais que nas últimas eleições: os partidos Democrático Liberal (PDL, 19 cadeiras), Liberal (PL, 18), Democrático (PD, 13) e a Aliança Nossa Moldávia (ANM, oito).

Para formar Governo são necessárias 52 cadeiras, enquanto para escolher o presidente do país - que na Moldávia é função do Legislativo - são precisos votos de 61 deputados (60%).

Segundo diversos analistas, a correlação definitiva de forças no novo Parlamento estará nas mãos do Partido Democrático, liderado pelo antigo comunista e ex-presidente do Legislativo Marian Lupu, que abandonou há algumas semanas as fileiras do PC.

A coalizão liberal, até agora opositora, precisa do apoio do PD para obter 58 cadeiras, enquanto a eventual aliança deste com os comunistas daria 56 deputados, números suficientes em ambos os casos para formar o Governo, mas não para escolher o presidente.

Dessa forma, não se pode descartar que o novo Legislativo seja incapaz de escolher o presidente, como ocorreu com o Parlamento formado após as eleições de 5 de abril, que teve que ser dissolvido.

Nesse caso, segundo a Constituição moldávia, outras eleições extraordinárias só poderão acontecer dentro de um ano, prazo durante o qual a Moldávia seguiria governada pelo presidente em fim de mandato, o comunista Vladimir Voronin.

Voronin teve que dissolver o Parlamento eleito em 5 de abril e convocar as eleições extraordinários de hoje, depois que a oposição impediu duas vezes que o PC elegesse sua candidata, a primeira-ministra Zinaida Greceanai, como nova chefe de Estado.

E foi exatamente a decisão de Greceanai que motivou a ruptura com os comunistas do atual líder do PD, Lupu, que pretendia também chegar à Presidência do país.

No Parlamento anterior, os comunistas ficaram a um voto dos 61 necessários para escolher o presidente, devido ao boicote dos três partidos opositores com cadeiras: PDL, PL e ANM.

Após as eleições de abril, a oposição denunciou fraude e chamou seus partidários a protestar na capital, Chisinau, manifestações que em 7 de abril geraram violentos choques com a Polícia e o saque da sede do Parlamento e da residência presidencial.

Voronin responsabilizou a oposição e Bucareste pelo que chamou de "golpe anticonstitucional", já que muitos manifestantes exigiam a reunificação com a Romênia e levavam suas bandeiras, expulsou o embaixador do país vizinho e impôs vistos a seus cidadãos.

O presidente da Moldávia, país mais pobre da Europa, encravado entre Ucrânia e Romênia e economicamente dependente da Rússia, defende a entrada na União Europeia (UE), mas dá prioridade a uma "relação estratégica" com Moscou e rejeita a adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A oposição liberal, marcadamente pró-ocidental e apoiada pela população urbana e a juventude, denuncia o autoritarismo, os abusos e a corrupção dos comunistas, reivindica mudanças e promove uma política de decidida integração euro-atlântica.

Os comunistas, apoiados pelo campo, os setores mais pobres e os idosos nostálgicos da antiga URSS, durante a campanha acusaram a oposição de buscar o desaparecimento do Estado moldávio a partir de sua reunificação com a Romênia, da qual a Moldávia fez parte até 1940.

Cerca de 800 mil dos 4,5 milhões de habitantes da Moldávia obtiveram ou solicitaram a nacionalidade romena para poder viajar à UE, enquanto outros 600 mil, em idade ativa, ganham a vida em países como Rússia, Espanha, Itália e Portugal e não votam.

O presidente da Comissão Eleitoral moldávia, Yurie Ciocan, afirmou hoje que "a votação transcorreu tranquilamente e sem irregularidades substanciais", opinião que deverá ser ratificada por observadores internacionais, que validaram o último pleito. EFE se/rr

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