Liberais encaram aliança com CDU de Merkel como única opção

Berlim, 20 set (EFE).- Os liberais do Partido Democrático-Liberal (FDP) firmaram hoje suas bases para a última semana de campanha eleitoral e anunciaram oficialmente que sua única aspiração é um Governo de centro-direita com a União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler Angela Merkel.

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"A Alemanha deve ser dirigida do centro. Porque pode fazê-lo melhor e merece algo mais", afirmou o líder liberal, Guido Westerwelle, ao término de um congresso extraordinário do partido realizado em Potsdam, nos arredores de Berlim.

Com a declaração de apoio a um futuro Governo de coalizão com os conservadores, os cerca de 600 delegados do FDP descartaram definitivamente a possibilidade de fazer parte de um Governo com os social-democratas (SPD) e os verdes.

A última pesquisa eleitoral prevê para o próximo domingo uma vitória do partido de Merkel, com 35% dos votos. Isso, com 14% dos liberais, seu aliado natural, lhe daria o Governo.

Os 49% representam uma maioria apertada, mas suficiente, no Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), de acordo com o sistema eleitoral, baseado em uma fórmula mista que combina os votos ao candidato de cada distrito do eleitor e o segundo voto à lista do partido.

Nove pontos abaixo da CDU, com 26% dos votos, ficaria o Partido Social-Democrata do ministro de Assuntos Exteriores, Frank-Walter Steinmeier.

O objetivo dos liberais no próximo domingo é que as urnas deem por acabada a atual grande coalizão entre social-democratas e democratas-cristãos, que relegou há quatro anos o FDP à oposição.

A promessa liberal de reduzir os impostos em situações de crise apareceu como o principal empecilho de uma hipotética coalizão "semáforo", chamada assim pelas cores das legendas - amarelo do FDP, vermelho do SPD e verde do próprio Partido Verde - e também centrou hoje o discurso de Westerwelle.

O líder liberal defendeu uma redução substancial dos impostos para a classe média e as famílias já que, para ele, "só uma classe média forte, que pague poucos impostos, garantirá o equilíbrio e a justiça social".

Westerwelle relembrou também a queda do Muro de Berlim, evento que em 9 de novembro completa 20 anos, e afirmou que os liberais contribuíram para que a revolução pacífica saísse vitoriosa.

"Não nos comprometemos então por esse país para agora deixar que comunistas e socialistas tenham algo a dizer sobre o futuro da Alemanha", afirmou, em alusão ao partido A Esquerda, composto por pós-comunistas e dissidentes social-democratas.

Após três legislaturas na oposição - os Governos vermelho-verdes de Gerhard Schroeder e a grande coalizão de Merkel - os liberais partem com boas expectativas de alcançar um Governo de centro-direita liderado pela atual chanceler.

"A grande coalizão tem que terminar" e "não pode haver uma coalizão de esquerda" são os principais lemas de Westerwelle, para quem a pior coisa que poderia acontecer na Alemanha seria um acordo entre social-democratas e A Esquerda.

O líder liberal defendeu sua rejeição a chegar a qualquer tipo de acordo com o SPD.

"Somos liberais, não idiotas", afirmou.

No entanto, e apesar de seu desejo de formar coalizão com Merkel, Westerwelle disse que cada voto para a chanceler "favorece uma reedição da grande coalizão" entre a CDU e os social-democratas.

Apesar do manifesto liberal de não deixar nenhuma porta aberta à coalizão com SPD e com os verdes, Steinmeier recebeu o anúncio com ceticismo.

Em várias entrevistas, o atual ministro de Assuntos Exteriores diz hoje que, apesar das declarações pré-eleitorais do FDP, as futuras combinações governamentais serão debatidas "a sério" após as eleições do próximo domingo. EFE nvm/rr

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