Líbano protesta na ONU contra espionagem de Israel

O Líbano enviou oficialmente uma carta de protesto nesta quinta-feira ao Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, contra as redes de espionagem de Israel em território libanês, disseram as autoridades do país. Autoridades disseram em um comunicado que as forças de segurança do Líbano desmantelaram uma vasta rede de espionagem do Mossad (serviço secreto israelense) atuando no país.

BBC Brasil |

O governo libanês protestará contra uma "violação de sua soberania, acusando Israel de recrutar cidadãos libaneses para atos de espionagem".

Desde janeiro deste ano, já foram presas 18 pessoas em diferentes regiões do Líbano.

Esta já é considerada a maior operação contra uma rede de espionagem nos últimos anos e é tida por analistas como uma grande perda para os serviços de inteligência israelenses.

A rede, de acordo com a polícia libanesa, era composta por diversas "células" em várias regiões do país e formada por cidadãos libaneses e alguns refugiados palestinos.

As autoridades libanesas acreditam que um grande número de espiões a serviço de Israel pode ter fugido para o território israelense com o início do "colapso e desintegração" das redes do Mossad no país.

O chefe das Forças de Segurança Interna, general Ashraf Rifi, disse, em um comunicado à imprensa, que os acusados presos em conexão com o Mossad pertenciam a diferentes grupos sectários do país, entre cristãos e muçulmanos, e que atuaram devido a fatores econômicos e psicológicos.

Pela lei libanesa, espionar e colaborar com Israel é considerado traição e os condenados são sentenciados à morte. Líbano e Israel estão oficialmente em estado de guerra desde 1949, quando foi assinado um acordo de armistício.

Até agora, Israel se recusou a comentar a prisão dos supostos espiões, mas jornais israelenses disseram que as autoridades confirmaram que prenderam dois libaneses que fugiram clandestinamente pela fronteira para o lado israelense.

Hezbollah
Neste final de semana, o libanês Nasser Nader foi preso pela polícia na cidade de Ghandouriyeh, no sul do Líbano, acusado de espionar para Israel.

O general Rifi descreveu a prisão de Nader como uma "boa fisgada".

"Eu arrisco a dizer que ele (Nader) é o mais importante suspeito dentre todos os membros da rede de esionagem ligada a Israel que já foram presos até agora", disse ele no comunicado à imprensa.

Entre os que já foram presos, está um general aposentado do Exército, Adib al-Alam, sua mulher e sobrinho, um policial da Segurança Geral (polícia federal), o prefeito de uma cidade no interior do país, além de outras pessoas em diferentes regiões do Líbano.

Segundo Rifi, os primeiros interrogatórios mostraram que Nader estava trabalhando na coleta de informações nos subúrbios sul de Beirute, região controlada pelo Hezbollah, incluindo postos avançados e casas de líderes do grupo xiita.

De acordo com a polícia libanesa, foram apreendidos na casa dele equipamentos sofisticados para tirar fotografias e transmiti-las imediatamente.

"Ele já confessou que sua função era monitorar as atividades de líderes da resistência (Hezbollah)", completou Rifi.

Egito
O próprio Hezbollah já foi acusado de recrutar espiões ou atuar em territórios egípcio e israelense.

No ano passado, um árabe-israelense foi preso acusado de passar informações para membros do grupo xiita libanês.

Mas o caso de maior repercussão aconteceu no mês passado quando um grupo de 10 pessoas foi preso pela polícia egípcia acusado de ser uma célula do Hezbollah e que atuava na fronteira com a Faixa de Gaza.

O Egito acusou o Hezbollah de espionagem em seu território e de operações que incluiam o contrabando de armas para o grupo palestino Hamas, em Gaza.

O grupo libanês admitiu que as pessoas faziam parte de suas operações e que tentava levar armas para o Hamas, mas negou que estivesse conduzindo operações de espionagem contra o governo egípcio.

A relação desde então ficou desgastada e causou um enorme constrangimento para o governo libanês que tem boas relações com o Egito.

O Hezbollah faz parte do atual governo de união nacional, que conta com os diversos partidos libaneses.

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