Líbano pede que comunidade internacional faça pressão sobre Israel

Israel também culpa Líbano por confrontos que deixaram pelo menos três libaneses, um israelense e um jornalista mortos

EFE |

As autoridades libanesas pediram nesta terça-feira à comunidade internacional que exerça pressão sobre Israel para pôr fim a suas agressões contra o Líbano e para que o país respeite a resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que pôs fim à guerra entre o Estado judeu e o grupo xiita Hezbollah em 2006.

"Esse novo ataque é da responsabilidade das Nações Unidas, que deve fazer respeitar a resolução 1701", afirmou o presidente Michel Suleiman, referindo-se aos confrontos que aconteceram nesta terça-feira entre os Exércitos israelense e libanês no povoado fronteiriço de Adeisseh. Por seu lado, Israel responsabilizou o Líbano pelo incidente, afirmando que a troca de disparos era " uma flagrante violação da Resolução do Conselho de Segurança (das Nações Unidas) 1701 ".

Pelo menos três soldados libaneses, um jornalista e um oficial de alta patente de Israel morreram e outras três pessoas ficaram feridas nos confrontos, supostamente desencadeados quando um grupo de soldados israelenses quis cortar uma árvore localizada na chamada cerca técnica. Essa cerca fica do lado israelense da fronteira, antes da "linha azul", marcação feita pela ONU para certificar a retirada israelense do sul do Líbano em maio de 2000, após 22 anos de ocupação.

O presidente deu ordens ao Exército para responder às violações israelenses da resolução 1701, "sem levar em conta os sacrifícios". Um chamado similar foi feita pelo chefe de governo, Saad Hariri, que condenou as violações israelenses da soberania libanesa e a agressão contra o Exército, pedindo às forças da ONU (Finul) e à comunidade internacional que assumam suas responsabilidades. Também pediu que façam pressão sobre Israel para que pare com as agressões e violações e aplique a resolução 1701.

Hariri manteve uma série de contatos em nível local e regional para fazer frente "à agressão israelense contra o Exército libanês e à violação escandalosa da resolução 1701". Por sua vez, o chefe do Parlamento Nabih Berri manteve uma série de reuniões, entre elas com o representante da Secretaria-Geral da ONU no Líbano, Michael Williams, com quem examinou "os ataques criminosos contra o Exército libanês".

Williams assegurou que os ataques eram inquietantes, dizendo que Finul trata de restituir a calma, segundo a "Agência Nacional de Notícias" (ANN). Também informou que essa missão de paz da ONU segue com as investigações para determinar o que começou o conflito. "A prioridade agora é prosseguir com as investigações e atuar rápido para que a calma volte à fronteira", acrescentou.

Para Berri, o incidente desta terça-feira é "uma mensagem clara israelense contra os esforços da Arábia Saudita, Catar e Síria para garantir a estabilidade no Líbano". Os chefes de Estado da Arábia Saudita, Catar e Síria estiveram em Beirute no último fim de semana.

"Israel demonstrou com sua agressão contra o Líbano e seu Exército, assim como suas contínuas violações da (resolução) 1701, que é a única ameaça contra a estabilidade e a soberania do Líbano", afirmou o chefe do Parlamento. Para fazer frente a uma eventual deterioração da situação, Suleiman convocou para esta terça-feira uma sessão urgente no palácio presidencial com os membros do Alto Conselho de Defesa para seguir a evolução dos eventos no sul do país, anunciou a "ANN".

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