Líbano: oposição se retira do oeste de Beirute a pedido do Exército

O Hezbollah e seus aliados da oposição iniciaram neste sábado a retirada de seus combatentes dos bairros do oeste de Beirute conquistados na véspera, respondendo a um pedido do Exército libanês.

AFP |

A decisão ocorre após o Exército anunciar o congelamernto das recentes medidas do governo contra o Hezbollah, origem do atual conflito entre militantes pró e contra o governo, que já deixou 36 mortos.

"O movimento xiita Amal anuncia que seus homens iniciaram a retirada das ruas de Beirute", declarou um dirigente deste partido aliado ao Hezbollah, acrescentando que a oposição prosseguirá com seu movimento de "desobediência civil".

As forças ligadas à oposição haviam tomado na sexta-feira diversos bairros do oeste da capital libanesa controlados por partidários do governo.

Encarregado neste sábado pelo primeiro-ministro Fuad Siniora de restabelecer a paz no país, o Exército libanês ignorou as decisões do governo contra o Hezbollah e ordenou a todos os homens armados que se retirem das ruas.

Ao tomar conhecimento deste anúncio, a oposição anunciou a desmobilização de seus homens armados e iniciou posteriormente sua retirada das ruas da capital.

Em um pronunciamento à nação, Siniora encarregou neste sábado o Exército de aplicar as decisões tomadas na terça-feira pelo governo libanês contra o Hezbollah, classificadas pelo movimento xiita como uma "declaração de guerra".

As decisões de Siniora deram origem a violentos combates entre partidários da maioria parlamentar anti-síria, apoiada pelo Ocidente, e militantes da oposição, liderados pelo Hezbollah e apoiados por Damasco e Teerã.

O Exército decidiu que o chefe da segurança do aeroporto de Beirute, Wafic Chukair, apresentado pelo governo como alguém ligado ao Hezbollah, e que foi destituído na terça-feira, "manterá seu posto" pelo menos até que fique esclarecido se estava a par das câmeras de vigilância instaladas pelo grupo radical xiita no aeroporto da capital.

Além isso, o Exército "se encarregará de estudar o relatório sobre a rede de telecomunicações" do Hezbollah, que seria investigada pelo governo por "violação da soberania do Líbano".

A formação xiita considera que esta rede é essencial em sua luta contra Israel e "por razões de segurança".

Em um comunicado militar, o Exército solicitou a "todas as partes (...) que retirem todos os homens armados e liberem as estradas", o que levou a oposição libanesa a ordenar que seus militantes armados se retirem de Beirute, deixando o controle da capital nas mãos dos militares.

O primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, havia criticado a "passividade" do Exército nos combates e exigiu que as Forças Armadas impusessem a segurança no país e retirassem "imediatamente" os homens armados das ruas.

Os soldados haviam recebido ordens de não se envolver nos combates, temendo uma divisão do Exército.

A maioria anti-síria saudou a decisão do Exército porque "abre caminho para uma solução" para o conflito, segundo um de seus líderes, Rafic Hariri.

Pouco a pouco a normalidade voltava neste sábado aos bairros de Beirute Oeste invadidos pela oposição. As lojas voltaram a abrir e os cidadãos saíram às ruas.

"A presença de elementos armados diminuiu significativamente e os civis não correm mais perigo", segundo um porta-voz do Exército.

Antes da trégua, pelo menos 16 pessoas morreram em confrontos armados nas últimas horas.

Duas delas morreram quando homens armados abriram fogo contra uma multidão que participava do funeral de um civil sunita morto nos enfrentamentos de sexta-feira.

Outras 14 pessoas, várias delas civis, morreram na cidade de Halba, em confrontos entre membros do Partido Nacional Social Sírio (oposição pró-siria) e militantes da Corrente do Futuro (pró-governamental).

As estradas de acesso ao aeroporto de Beirute, onde nenhum vôo estava previsto, continuavam bloqueadas neste sábado e os estrangeiros abandonavam o país pela estrada que leva à Síria.

bur/dm/LR

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