Para analistas, acordo no Líbano não é solução de longo prazo" / Para analistas, acordo no Líbano não é solução de longo prazo" /

Líbano elege presidente no domingo após longa crise política

Os deputados libaneses escolherão no domingo seu novo chefe de Estado, o general Michel Sleimane, na primeira etapa de reconciliação de um país que há 18 meses se encontra afundado em uma grave crise política, marcada por atentados e violentos enfrentamentos. http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/05/24/para_analistas_acordo_no_libano_nao_e_solucao_de_longo_prazo_1324745.htmlPara analistas, acordo no Líbano não é solução de longo prazo

AFP |

A eleição do general Sleimane é resultado do acordo firmado na quarta-feira em Doha, mediado pelo Qatar, que dá à oposição, representada pelo Hezbolah xiita, uma minoria de bloqueio no futuro governo.

Concluído após a violenta campanha do Hezbolah no início de maio em Beirute, o acordo deixa em suspenso várias questões fundamentais - entre elas o desarmamento do partido xiita, oficialmente a única milícia libanesa que ainda mantém seu arsenal bélico.

A eleição do presidente, que acontecerá seis meses depois da partida do chefe de Estado anterior, Emile Lahud, permitirá a reativação das instituições libanesas, paralisadas desde novembro de 2006.

O general Sleimane, no entanto, já alertou que não poderá garantir sozinho a segurança do país.

"Não é possível alcançar a segurança pela força, mas sim através de uma vontade política. Um só partido não pode construir o país", disse à revista As-Safir, ligada à oposição.

Desde dezembro do ano passado, a maioria anti-Síria (apoiada pelo Ocidente e pela Arábia Saudita) e a oposição (aliada a Irã e Síria) concordam em nomear Sleimane, mas as lutas pelo poder impediram sua eleição.

Chefe do Exército libanês desde 1998, o general Sleimane, 59 anos, representa uma figura de consenso no país por ter permanecido afastado das rivalidades políticas e religiosas.

Ainda que o acordo de Doha tenha trazido um suspiro de alívio e otimismo ao Líbano, fato é que o governo precisou ceder um espaço considerável ao Hezbolah para conseguir aprová-lo, o que deixa um rastro de incerteza em meio à mudança da divisão de poderes.

Para Naim Kassem, número dois da organização xiita, este compromisso representa "um grande êxito para todos os libaneses".

Ao obter uma minoria de bloqueio, a oposição poderá impor sua vontade nas decisões importantes, como as que dizem respeito à segurança do Estado.

Além disso, o Hezbolah sai duplamente vencedor das negociações, uma vez que a delicada questão de seu desarmamento sequer foi colocada sobre a mesa.

Conflitos violentos

Os enfrentamentos registrados no início do mês, que deixaram 65 mortos em todo o país, alimentaram uma perigosa rivalidade entre xiitas e sunitas.

Mais do nunca, os muçulmanos se encontram divididos em dois blocos opostos: a maioria sunita de um lado e os xiitas na oposição. Os cristãos libaneses, por sua vez, também estão apartados.

Essas questões dão sinais claros de que a reconciliação será mesmo difícil.

Assim que for eleito, o chefe de Estado dará início aos trâmites para nomear um primeiro-ministro - cujo nome será conhecido na próxima terça-feira - e formar um governo que assumirá as rédeas do país até a realização de eleições gerais em 2009.

Leia mais sobre: Líbano

    Leia tudo sobre: líbano

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG