Líbano e Síria vão restabelecer relações diplomáticas

Os presidentes do Líbano e da Síria confirmaram formalmente que deverão restabelecer relações diplomáticas plenas, após conversações na capital síria, Damasco. O presidente libanês, Michel Suleiman, foi recebido com tapete vermelho pelo seu colega sírio, Bashar al-Assad, na primeira visita depois de três anos turbulentos na região.

BBC Brasil |

O clima de tensão entre libaneses e sírios se seguiu ao assassinato do ex-primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, em 2005.

Muitos libaneses culpam Damasco pelo assassinato, mas a Síria nega envolvimento.

Embaixadas
Os dois líderes se reuniram nesta quarta-feira um mês depois de uma reunião em Paris que contou com a presença de chefes de Estado de 43 países de Europa, norte da África e Oriente Médio. Na ocasião, ambos concordaram em reatar os laços e abrir embaixadas um no país do outro.

"Os dois presidentes (...) instruíram seus ministros do Exterior a dar os passos necessários nesse sentido, começando hoje", disse Buthaina Shaaban, assessora do presidente Assad.

Os vizinhos árabes deverão normalizar suas reações pela primeira vez desde que conseguiram sua independência da França na década de 40.

Horas antes de Suleiman ir a Damasco para a visita de dois dias, uma bomba explodiu na cidade portuária de Trípoli, no norte do Líbano - palco, desde maio, de lutas de rua entre manifestantes favoráveis e contrários à Síria. Pelo menos 18 pessoas entre militares e civis morreram.

O presidente do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, que é pró-Síria, disse que pelo momento em que ocorreu, o ataque tinha o objetivo de "impedir a melhoria das relações sírio-libanesas".

O Ministério do Exterior da Síria chamou o ataque de "ato criminoso" e manifestou apoio ao Líbano "diante de todos que estão manipulando sua segurança e estabilidade".

Questões difíceis
A correspondente da BBC em Damasco, Bethany Bell, disse que apesar do progresso nas relações entre as duas nações, um obstáculo potencial permanece: a investigação internacional sobre a morte de Hariri.

No passado, investigadores disseram que a inteligência síria e seus contatos libaneses desempenharam um papel, embora o relatório do mais recente chefe das investigações, Daniel Bellemare, do Canadá, tenha mencionado uma rede criminosa sem dizer se ela tinha motivos políticos.

Autoridades sírias negaram sistematicamente qualquer participação de seu país.

A Síria manteve uma grande presença militar e de inteligência no Líbano depois que a guerra civil terminou, em 1990, mas foi forçada a se retirar depois do assassinato de Hariri por causa de forte pressão popular no Líbano, que contou com apoio internacional.

Resolver suas relações com a Síria é uma prioridade para o novo governo do Líbano.

Foi formada uma coalizão de união nacional depois de um acordo em Doha mediado pelo Catar, que pôs fim a meses de impasse e atos de violência entre facções pró-Síria e partidários do governo apoiado pelo Ocidente.

O acordo em Doha também permitiu a instalação do ex-chefe do Exército, Suleiman, como presidente, um candidato considerado aceitável pelos dois lados.

Outras questões para discussão em Damasco provavelmente incluirão a demarcação da fronteira montanhosa entre Síria e Líbano e a decisão sobre o futuro de libaneses detidos na Síria.

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