Líbano e Síria dão novo passo para normalizar suas relações

Damasco, 14 ago (EFE).- Síria e Líbano anunciaram hoje que retomarão as negociações para delimitar sua fronteira comum, em um novo passo para normalizar as relações entre os dois países, fato de extrema importância para a estabilidade no Oriente Médio.

EFE |

As duas nações se comprometeram também a lutar contra o contrabando e a cooperarem no esclarecimento do paradeiro dos cidadãos desaparecidos em ambos os países, segundo um comunicado emitido no último dia da visita do presidente libanês, Michel Suleiman, à Síria.

Suleiman e Bashar al-Assad, chefe de Estado sírio, decidiram "retomar os trabalhos de um comitê conjunto para delimitar a fronteira entre a Síria e o Líbano", segundo a nota oficial emitida após as reuniões, que foram descritas oficialmente como "muito bem-sucedidas e construtivas".

Entre a fronteira do Líbano e a Síria estão as Fazendas de Chebaa, ocupadas por Israel em 1967, e que são consideradas território sírio por Israel e pela ONU, enquanto Damasco e Beirute reivindicam que é território libanês.

No entanto, o ministro de Exteriores sírio, Walid Mouallem, disse que "não se pode delimitar (a fronteira de) as Fazendas de Chebaa enquanto a ocupação continuar".

"As duas partes insistem na necessidade da retirada israelense das fazendas libanesas de Chebaa, da aldeia de Kfar Shuba e da parte norte do Gayar", diz o comunicado conjunto emitido hoje.

Além disso, afirmam que "o estado de instabilidade na região é conseqüência da ocupação israelense de territórios árabes", incluídas as Colinas do Golã, território sírio ocupado pelo Estado judeu durante a guerra de 1967.

Este avanço na normalização das relações entre os dois países árabes coincide com as conversas indiretas de paz entre Israel e Síria que começaram no início do ano, graças à mediação turca.

Durante a visita do presidente do Líbano, a primeira de um chefe de Estado libanês desde 2005, os chefes de Estado também decidiram "estabelecer relações diplomáticas entre a República Árabe Síria e a República Libanesa em nível de embaixadas".

Esse acordo suporia a institucionalização de suas relações pela primeira vez desde a independência dos dois países, no início de década de 1940.

O ministro de Assuntos Exteriores libanês, Fawzi Salukh, anunciou hoje que os passos legais vinculados a esta decisão serão completados nas próximas duas semanas, tanto por parte de Beirute quanto de Damasco.

Esta medida põe fim a meses de tensões entre os dois países, devido às reservas de Damasco a normalizar a relação com seu vizinho, especialmente depois da retirada de suas tropas em 2005.

Os avanços dados pelos dois presidentes poderiam contribuir para a pacificação da região e favorecer a normalização política no Líbano, onde a maioria parlamentar, apoiada pelo Ocidente e por vários países árabes como a Arábia Saudita e o Egito, mantêm uma contínua disputa com a oposição, aliada da Síria e do Irã.

As tropas sírias chegaram ao Líbano em 1976, um ano depois do começo da guerra civil neste pequeno Estado Mediterrâneo.

Após o final da disputa, o Exército sírio permaneceu no Líbano como uma força de dissuasão, de acordo com a Liga Árabe, que também estipulou sua retirada.

No entanto, a Síria só abandonaria o Líbano 29 anos depois, como conseqüência das pressões libanesas e internacionais geradas após o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, em março de 2005. EFE gb/ab/gs

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