Líbano completa 33º aniversário da guerra civil com crise interconfessional

Passados 33 anos da deflagração da guerra civil, em 13 de abril de 1975, o Líbano se vê mergulhado em um novo conflito, que opõe, desta vez, muçulmanos e cristãos.

AFP |

Enquanto os libaneses lembram, no domingo, o aniversário do início dessa guerra de 15 anos (1975-1990), fazendo campanha contra novos confrontos, as divisões religiosas em suas comunidades alimentavam o medo de que isso aconteça.

"Os sunitas odeiam os xiitas, e os xiitas odeiam os sunitas, porque correu sangue entre eles", disse Khalil Sawan, de 65 anos, um sunita proprietário de um café, em Beirute.

Nesses últimos meses, vários conflitos opuseram os muçulmanos sunitas, partidários da maioria anti-síria, e os xiitas, que defendem a oposição feita pelo Hezbollah e pelo movimento Amal, apoiados por Damasco e Teerã, enquanto o Líbano permanece atolado em uma crise política há mais de um ano.

A paisagem mudou, porém, na antiga Linha Verde que dividia a cidade. Barricadas, pilhas de sacos de areia e homens armados com fuzis e lança-foguetes desapareceram. Apenas algumas casas, com marcas de tiros, testemunham essa guerra fratricida.

Os protagonistas também mudaram. Em 1975, a guerra opunha cristãos e facções palestinas instaladas no Líbano, armadas até os dentes e apoiadas pelo Movimento Nacional, formado, essencialmente, por membros da esquerda e muçulmanos.

Hoje, os cristãos estão divididos entre partidários e opositores da maioria no poder. "Antes, você sabia quem era seu inimigo. Hoje, pai e filho podem ser inimigos, se pertencerem a partidos diferentes", comenta Roger Chayeb, de 51 anos.

Esse cisma cristão se refletiu nos confrontos de 23 de janeiro de 2007, por exemplo, entre os partidários da Corrente Patriótica Livre, do general Michel Aun, aliado do Hezbollah, e as Forças libanesas, que deixaram várias vítimas.

A tensão também é palpável nas regiões drusas, entre seguidores do líder Walid Jumblat (maioria) e os do ex-deputado Talal Arslan e do ex-ministro Weam Wahhab (oposição).

Em Ain al-Remmaneh, lojas, cafés e padarias animam as ruas. Foi nesse bairro cristão que, em 13 de abril de 1975, homens armados atiraram em um ônibus que levava palestinos, estopim para uma guerra civil que fez mais de 100.000 mortos. Nas horas que se seguiram, os membros das facções rivais invadiram as ruas.

"Muito rápido, nós éramos rotulados de muçulmanos, ou cristão. Eu me mudei de Ain Remmaneh para Chiyah (bairro xiita), achando que seria temporário", recorda-se o xiita Tarek, de 51.

A Associação libanesa pelos Direitos do Homem, que organiza vários atos pela data, instalou no centro da cidade 600 banheiros químicos com o slogan "Quinze anos nos escondendo no banheiro: não foi o bastante?".

Durante os bombardeios, os libaneses se refugiavam nos abrigos, ou nos banheiros, considerados locais seguros.

ra-rd/tt/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG