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Líbano afasta o fantasma da guerra com a eleição de um novo Presidente

Katy Seleme Beirute, 25 mai (EFE).- O até hoje Chefe do Exército, Michel Suleiman, foi eleito pelo Parlamento libanês como novo presidente do Líbano, pondo fim assim a uma longa crise política que levou o país à beira de uma guerra civil.

EFE |

Em uma sessão extraordinária, 118 dos 127 deputados presentes na Câmara apoiaram Suleiman, único candidato, em cerimônia onde quatro deputados mostraram suas ressalvas ao processo de eleição que, segundo sublinharam, viola a Constituição.

A Constituição libanesa estabelece que é preciso passar um mínimo de dois anos até que um alto cargo da República ocupe outro posto de alta responsabilidade.

O anúncio da escolha foi recebido com uma explosão de grande alegria nas ruas de Beirute, onde se estabeleceram estritas medidas de segurança para evitar incidentes.

O novo presidente, candidato de consenso entre todos os grupos políticos libaneses - quase sempre profundamente contrários em todos os assuntos - fez o juramento à constituição libanesa (da qual ficará, durante seis anos, sendo o maior representante) logo depois do anúncio.

"Juro por Deus, o grande, respeitar a Constituição e as leis, e conservar a independência e a integridade territorial do Líbano", disse Suleiman perante os parlamentares e muitos convidados, como o emir do Catar, xeque Hamad Bin Khalifa Al-Thani, que recebeu os agradecimentos do novo chefe de Estado libanês por apadrinhar o acordo que permitiu pôr fim à crise.

Além do emir do Catar, estavam na sala o primeiro-ministro da Turquia, os ministros de Exteriores da Espanha, França, Itália, Egito, Arábia Saudita, Síria, Iraque e Irã, além do secretário-geral da Liga Árabe, o alto representante para a Segurança da UE e até um enviado do Vaticano.

Suleiman, que deve encarregar a formação de um Governo de união nacional a um membro da maioria parlamentar (o nome de Saad Hariri é o preferido), convocou seus compatriotas e todas as forças políticas a abrir uma nova página "com mais atenção ao futuro".

Neste sentido, convidou os grupos rivais a avançar pelo caminho do diálogo e não pelo do confronto.

O antigo chefe do Exército, que renunciou hoje a seu cargo anterior, votou pela promulgação de uma nova lei eleitoral que tenha como principal objetivo "o respeito à vontade popular", e considerou necessário constituir uma comissão especial.

Também se mostrou propício a que o Líbano colabore com a formação de um Tribunal Internacional para investigar o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, ocorrido em 14 de fevereiro de 2005, e cuja formação permanece bloqueada desde o começo da crise, em novembro de 2006, quando os ministros xiitas se retiraram do Executivo.

Suleiman, que foi interrompido em várias ocasiões pelos aplausos dos presentes, também se referiu ao grupo xiita Hisbolá - o principal da oposição - e em particular a seu braço armado, a Resistência, e ressaltou a necessidade de conservá-la "para beneficiar-se dela dentro de uma estratégia defensiva".

No entanto, especificou que as armas "têm de estar dirigidas só contra o inimigo", em uma clara alusão aos enfrentamentos que explodiram no último dia 7 entre seguidores da oposição e da maioria parlamentar, e que se prolongaram durante uma semana, e nos quais pelo menos 65 pessoas perderam a vida.

Além disso, manifestou que a ocupação por Israel das Fazendas de Chebaa, localizadas na fronteira entre Síria, Líbano e o Estado judeu, "obriga a adotar uma estratégia defensiva para proteger a pátria".

Antes do juramento, o presidente do Parlamento, Nabih Berri, elogiou o emir do Catar por seu trabalho de mediação no conflito libanês, e lembrou que na jornada de hoje também se celebra a retirada de Israel do Líbano há oito anos.

A crise libanesa, que explodiu em novembro de 2006 após a retirada dos cinco ministros xiitas do Governo de Fouad Siniora e que provocou a paralisação da vida parlamentar, foi acentuada em novembro de 2007, quando expirou o mandato do presidente anterior, Emil Lahoud, e as forças políticas foram incapazes de chegar a um acordo para escolher um novo presidente.

Após os sangrentos enfrentamentos do começo de maio, os diferentes grupos resolveram se reunir em Doha, capital do Catar, para encontrar uma saída à situação crítica.

Na capital do Catar, os líderes das facções concordaram com a escolha do presidente, com a criação de uma nova lei eleitoral e com a formação de um Governo de unidade nacional, no qual o Hisbolá desfrutará do direito a veto ao contar com um terço mais um das pastas ministeriais. EFE ks/fh/fb

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