Libaneses querem patentear esfiha e quibe

O presidente da Associação das Indústrias do Líbano afirmou que pretende iniciar uma batalha jurídica para impedir que companhias internacionais comercializem pratos com nomes tradicionais da cozinha libanesa como quibe, esfiha e falafel. Empresas brasileiras vendem quibes e esfihas nos Estados Unidos sem mencionar que são produtos libaneses, afirmou Fadi Abboud à BBC Brasil.

BBC Brasil |

"Na Grã-Bretanha, por exemplo, são vendidos diariamente meio milhão de produtos chamados 'molho grego', que nada mais são do que o nosso humus."

"Queremos provar que esses pratos são reconhecidamente libaneses, e essas empresas estão infringindo leis de direitos de origem ao usar estes nomes", acrescentou Abboud.

"Se quiserem comercializar esses produtos, que o façam usando outros nomes, não os originais", afirmou o presidente da associação libanesa. "Isso vem nos causando um prejuízo de dezenas de milhares de dólares."

Precedente

Abboud afirma que as empresas israelenses são as que mais se apropriam indevidamente dos pratos.

"A cada dia mais produtos típicos libaneses são comercializados como se fossem originários de Israel", reclama.

O libanês diz que a estratégia para levar o caso aos tribunais internacionais é registrar os ingredientes e as receitas dos pratos disputados junto ao governo do Líbano.

As autoridades libanesas, por sua vez, acionariam a União Européia em um primeiro passo para a disputa ser reconhecida pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Abboud cita o precedente aberto pelos gregos no caso do queijo feta. A União Européia decidiu, há seis anos, que o queijo feta pode receber tal nome apenas se for produzido em algumas regiões da Grécia e sob condições específicas.

A batalha legal travada entre o governo grego e empresas de laticínios de Alemanha, França e Dinamarca durou cerca de dez anos.

A Justiça européia decidiu que o queijo feta "é amplamente associado com a história grega e vem sendo produzido com este nome há seis mil anos".

Embora o Líbano nunca tenha registrado seus pratos, Abboud afirma que "todos sabem" quais receitas representam a comida libanesa.

Reações em Israel

Ao comentar o caso no Ynetnews, site em inglês do popular grupo israelense Yedioth, um leitor que se identificou como Jacob Erickson, de Tel Aviv, afirmou que a reclamação "é válida".

"Mas, se os libaneses vão contestar o direito israelense de produzir e comercializar (os alimentos), espero que contestem também em todo o Oriente Médio e em uma esfera global", acrescentou.

"Minha opinião pessoal é que esses alimentos pertencem ao Oriente Médio e ao território que era conhecido como Palestina, que agora se chama Israel", concluiu Erickson.

Outro leitor, identificado como 'palestino', argumenta na mesma linha e questiona: "Quem disse que esses pratos são libaneses?"

"Esses são pratos conhecidos na Síria, Palestina, Jordânia e Egito e são tradicionais no Oriente Médio há tempos", diz o leitor. "A comida deve ficar de fora da política", completa 'palestino'.

Leia mais sobre Palestina

    Leia tudo sobre: palestina

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG