Libaneses prestam homenagem a Rafik Hariri

Kathy Seleme. Beirute, 14 fev (EFE).- Centenas de milhares de libaneses se reuniram hoje, em Beirute, para prestar homenagem ao ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, assassinado há quatro anos, completados neste sábado, e para renovar seu compromisso com um Líbano soberano, independente e unido.

EFE |

Os manifestantes, de todos os cultos e regiões, chegaram às entradas de Beirute de carros, ônibus ou embarcações para ir à pé até a Praça dos Mártires, onde ocorreu o ato.

"Este é um dia triste, mas, ao mesmo tempo, é o dia da vitória, a vitória de um Líbano livre e independente", afirmou, durante a concentração, o ex-presidente Amin Gemayel, cujo filho Pierre também foi assassinado, em novembro de 2006.

Rafik Hariri foi primeiro-ministro do Líbano entre 1992 e 1998 e entre 2000 e 2004. Em 14 de fevereiro de 2005, foi assassinado em um atentado com carro-bomba que matou mais 22 pessoas, entre elas o deputado e ex-ministro Bassel Fleihan.

Aquele atentado, um dos mais graves na história recente do país, provocou a saída dos soldados e dos agentes sírios do Líbano, após três décadas de presença.

Um grande esquema de segurança tinha sido estabelecido desde sexta-feira para a concentração de hoje. Soldados e policiais, com apoio de tanques e outros veículos, estavam em todas as partes para evitar qualquer incidente.

Segundo cálculos da imprensa local, centenas de milhares de pessoas foram à concentração. Havia mais de 100 mil cadeiras colocadas na praça, que foram totalmente ocupadas, e muitas pessoas ficaram em pé.

Os presentes levavam bandeiras libanesas, fotos de Rafik Hariri, de seu filho e herdeiro político Saad ou dos "mártires da independência", além de balões vermelhos, azuis e brancos.

Algumas pessoas estavam com o rosto pintado de azul - cor da Corrente Futuro, o partido do filho de Hariri - ou tinham na face a foto do ex-primeiro-ministro assassinado.

"Não ficarei tranquilo até saber a verdade sobre o que aconteceu", disse à Agência Efe Khalil Dandan, um dos presentes ao ato, refletindo as dúvidas que ainda existem sobre um crime que dirigentes libaneses atribuem ao regime sírio.

"Temos que saber a verdade para poder descansar", disse a estudante Diana Farah.

Antes da cerimônia oficial, os minaretes das mesquitas divulgaram versículos do Corão, enquanto soavam os sinos das igrejas.

Na hora em que Hariri morreu, as 12h55 (8h55 de Brasília), todas as atividades foram suspensas e houve orações nas mesquitas, antes que, no ato central, tomasse a palavra o filho do ex-primeiro-ministro assassinado.

"Chegou o momento da verdade", afirmou Saad Hariri, ao falar sobre o julgamento que será aberto em Haia para investigar quem ordenou o assassinato de seu pai.

O Tribunal Especial para o Líbano - criado pela ONU em 2007 - começará a funcionar em 1º de março, mas não se sabe quando começará o julgamento das pessoas acusadas pelo assassinato de Hariri e dos outros crimes que mataram vários políticos e intelectuais libaneses.

Saad Hariri, herdeiro político do ex-primeiro-ministro, referiu-se também às eleições legislativas de 7 de junho, uma votação que, segundo ele, dará ao Líbano "a oportunidade de construir um Estado livre".

Gemayel disse que, nessas eleições, enfrentam-se dois projetos políticos contraditórios: o daqueles que querem um Estado forte e os outros que desejam o retorno da tutela, em alusão ao papel histórico que a Síria teve há até pouco tempo.

"Somos contra que Beirute seja substituído por Teerã e Trípoli por Damasco", disse, em referência à atual oposição, liderada pelo grupo xiita Hisbolá, acusado de receber ordens do Irã e da Síria.

O líder druso Walid Jumblatt pediu a preservação da unidade e do diálogo.

"Não temos inimigos dentro do Líbano, só Israel e os regimes tiranos querem suprimir o progresso e desenvolvimento" do país, afirmou. EFE ks/an

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