Beirute, 17 jul (Efe).- Samir Kuntar, que era o mais antigo prisioneiro libanês em prisões israelenses até ser libertado nesta quarta-feira em uma troca entre Israel e o grupo xiita Hisbolá, recebeu hoje uma calorosa recepção oficial e popular em sua aldeia natal de Aabey.

Desde a manhã de hoje, dezenas de pessoas aguardavam Kuntar ao longo do caminho que conduz a Aabey com cartazes que diziam: "Samir Kuntar é o filho de todos os libaneses" e "Kuntar fez o inimigo israelense sentir o gosto da humilhação".

Participaram da recepção os líderes políticos da comunidade religiosa drusa (à qual pertence Kuntar), Walid Jumblatt e Talal Arslan, assim como o ministro do Trabalho libanês, Mohammed Fneich, do Hisbolá.

"Não há contradição entre a liberdade, a independência, a soberania e a resistência", afirmou Jumblatt em discurso de boas-vindas, no qual disse que as armas do Hisbolá "só podem ser protegidas pela união nacional".

Fneich declarou que o Hisbolá estende suas mãos a todos para fechar um capítulo. "Insistimos no diálogo e em não temer as conversas (entre os libaneses) porque queremos nos unir pelo bem da união nacional", disse.

Kuntar integrava a Frente pela Libertação da Palestina quando foi preso por Israel aos 16 anos de idade, após realizar uma operação armada no norte do Estado judeu, na qual morreram um policial, um civil e uma filha de quatro anos deste último.

Por essa ação armada, Kuntar foi condenado por um tribunal israelense a cinco cadeias perpétuas e a 47 anos de prisão.

Durante seu discurso, Kuntar advertiu que agora está mais decidido do que antes em se "encontrar de novo com o inimigo israelense". Ele também citou o território conhecido como Fazendas de Chebaa, situado entre as fronteiras de Israel, Síria e Líbano, e ocupados pelo Exército israelense desde 1967.

Esse é o único território que Israel não abandonou quando se retirou do Líbano, em maio de 2000, após 22 anos de ocupação.

"A libertação das Fazendas de Chebaa não significará o fim da luta contra Israel. É uma ilusão pensar que esta (luta) terá fim. O inimigo não nos deixa, e a resistência continuará depois de serem libertadas", disse Kuntar. EFE ks/wr/rr

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