Teresa Bouza. Washington, 9 jan (EFE).- Leon Panetta, escolhido para o comando da CIA, é um gerente eficaz que sabe pouco de espionagem mas se criou nos corredores do poder, onde criticou a tortura que manchou a reputação da agência que chefiará.

O próprio presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que hoje o nomeou para o cargo, criticou em diversas ocasiões a CIA por utilizar métodos de interrogatório, como a asfixia simulada, que ele considera tortura.

Se confirmar sua nomeação, Panetta terá que decidir o futuro desses métodos de interrogação, assim como o de outros programas polêmicos aprovados durante a Presidência de George W. Bush, incluindo a rede de prisões secretas da CIA e a deportação de prisioneiros para países onde se pratica oficialmente a tortura.

O ex-congressista e ex-chefe de gabinete durante o Governo de Bill Clinton (1993-2001) deixou claro que sua oposição à tortura é radical.

"Os que respaldam a tortura podem crer que podemos abusar dos prisioneiros em certas circunstâncias e mesmo assim sermos fiéis aos nossos valores, mas isso é falso", disse em um ensaio publicado no ano passado na revista Washington Monthly.

"Ou bem acreditamos na dignidade do indivíduo, no império da lei e na proibição de castigos cruéis e incomuns ou não. Não existe meio termo", acrescentou então.

O advogado de 70 anos, que, se receber o sinal verde do Senado, será o diretor mais idoso da CIA, enfrentará esses desafios com pouco conhecimento do mundo da espionagem, o que levou a comunidade de inteligência a recebê-lo com receio.

Mas Obama, que encontrou dificuldades para encontrar um candidato sem vínculos com os polêmicos programas de Bush, parece ter premiado sua capacidade de gestão, seu espírito bipartidário e sua experiência orçamentária e em política externa que Panetta adquiriu com Clinton.

Nascido em 28 de junho de 1938, em Monterrey, na Califórnia, ele foi criado em um lar de imigrantes italianos e ajudou a manter o restaurante e a fazenda da família.

O jovem Panetta recebeu uma educação católica e se graduou em Direito na Universidade de Santa Clara, que o preparou para a profissão de advogado que exerceria posteriormente.

O futuro congressista democrata por 16 anos começou sua carreira política do lado republicano e teve o dever de garantir o cumprimento das leis de igualdade educativa entre brancos e negros durante parte da Presidência do republicano Richard Nixon (1969-1974).

Pouco após deixar esse cargo, em 1971, Panetta, mudou-se para o Partido Democrata, alegando que os republicanos se estavam afastando do centro e que trabalhavam contra as leis de direitos civis.

Panetta traduziu sua experiência durante a administração Nixon no livro "Bring us Together" (Unamos-nos).

Entre 1977 e 1993, foi representante (deputado) democrata pela Califórnia, um período que lhe permitiu aprofundar seu conhecimento dos meandros da capital e durante o qual presidiu o Comitê Orçamentário da Câmara de Representantes, de 1989 a 1993.

Em 1993 passou a ocupar o cargo de diretor orçamentário da Casa Branca e, um ano depois, Clinton o nomeou seu chefe de Gabinete.

O aspirante a futuro manda-chuva da CIA lembrou em tom humorístico o estresse daqueles tempos em artigo publicado pela revista "New Yorker" em 1994.

"Quando trabalhava no Escritório de Gestão e Orçamento (da Casa Branca), não tinha tempo nem para ir ao banheiro e agora (não tenho tempo) para comer, ou seja, talvez tudo vá se encaixando", assegurou.

Seu então chefe ficou contente com seu esforço e serviço a julgar pelas declarações ao jornal "Washington Post" em 1997: "Duas semanas depois de ele chegar (ao posto de chefe de Gabinete), pude comprovar como haviam acalmado as coisas. Melhorou a confiança".

Após sua saída da administração Clinton, Panetta dedicou grande parte de seu tempo ao Instituto Leon e Silvia Panetta, uma organização sem fins lucrativos que se concentra no serviço público e na participação cidadã em assuntos de importância para o país.

Panetta é casado e tem três filhos e cinco netos. EFE tb/jp

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