Leite contaminado continua à venda na China, diz jornal

Produtos contaminados com melamina e banidos pelo governo continuam sendo vendidos no sul da China. Pelo menos uma rede de supermercado da cidade de Cantão (Guangzhou) ainda vende leite contaminado com o químico industrial, apesar da grande repercussão do escândalo na imprensa internacional e da suspensão do comércio pelo governo, segundo uma reportagem do jornal South China Morning Post publicada nesta segunda-feira.

BBC Brasil |

O leite desnatado com cálcio da marca Mengniu é um dos produtos banidos pelo Departamento de Inspeção e Quarentena, mas continua sendo vendido, diz o jornal.

Segundo o diário de Hong Kong, durante a última semana, carrinhos de supermercados de Cantão e Shenzhen estavam repletas de produtos das marcas Yili e Mengniu, vendidas a preços promocionais.

Nem todos os tipos de leite oferecidos eram impróprios para consumo, mas em meio ao esquema promocional de pague-um-leve-dois havia itens proibidos, afirma o jornal.

Raiva

Avisada na sexta-feira pelos consumidores de que os produtos eram impróprios para consumo humano, a direção de um dos supermercados se desculpou, alegando falha de organização interna, e prometeu recolher os produtos.

Porém, no dia seguinte à notificação, o leite contaminado seguia à venda nos carrinhos do CRVanguard, supermercado em Cantão.

Consumidores afirmaram que estavam com "raiva" do descaso da direção do supermercado.

"A primeira vez você pode dizer que foi um engano dos funcionários, mas como você justifica a segunda vez?", disse um cliente ao jornal Yancheng Evening News.

"A coisa mais ridícula é que ao lado da prateleira onde estão os leites contaminados está afixado um comunicado do governo dizendo para não comprar esses produtos", criticou outro consumidor.

Esforço

A denúncia da imprensa chinesa vem em meio ao esforço do governo de recuperar a credibilidade dos produtos fabricados no país.

No fim de semana, o Departamento de Inspeção e Quarentena divulgou o resultado do sexto teste de qualidade realizado desde o escândalo.

Oficiais do Partido Comunista afirmaram que todas as 609 amostras de 75 marcas oriundas de 27 cidades mostraram-se aptas para o consumo humano.

Além disso, 152 mil oficiais e investigadores do ministério da Agricultura estão supervisionando cerca de 19 mil estações de coleta de leite em todo o país, informou a agência de notícias estatal Xinhua.

Até o momento, 15 produtores de leite foram fechados e três estão sob investigação acusados de adulterar o conteúdo do alimento.

Enquanto isso, ao redor do mundo, vários países proibiram a compra de produtos de leite feitos na China.

No sábado a Guiana foi o segundo país da América Latina, após o Suriname, a recolher das prateleiras leite e derivados vindos da China.

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