Lei de educação motiva passeatas de governistas e opositores em Caracas

Caracas, 22 ago (EFE).- O protesto da oposição venezuelana contra a nova lei de educação do país terminou neste sábado em Caracas com o uso de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, enquanto a passeata governista, que defendia a legislação, transcorreu ao som de música popular.

EFE |

A capital venezuelana vivia um dia calmo, até o momento em que o protesto da oposição chegou à cerca de segurança que marcava o final de seu percurso.

Grupos de jovens que estavam à frente da manifestação começaram a empurrar a cerca e conseguiram derrubá-la, momento em que a Polícia de Caracas usou gás lacrimogêneo pela primeira vez no protesto.

Outras três tentativas de avanço por parte dos oposicionistas foram contidas com gás lacrimogêneo e até mesmo com o uso de jatos de água.

De acordo com as imagens transmitidas pela televisão, várias pessoas foram atingidas pela fumaça e pelo menos uma se feriu durante a ação policial.

O vice-ministro de Segurança venezuelano, Juan Romero, atribuiu os incidentes a "um grupo de 100 ou 200 pessoas que não entendem que estamos em um Estado de direito. Por isso, tivemos que usar gases químicos permitidos internacionalmente".

Já o deputado opositor Juan José Molina negou que os manifestantes tenham dado motivos para o uso de gás lacrimogêneo.

Para ele, tudo ocorreu por conta do "medo" que os policiais sentiram quando alguns estudantes, "com sua veemência", sacudiram as cercas de segurança.

Com o início da confusão, muitos opositores presentes ao protesto começaram a se dispersar, o que ocorreu por completo depois que uma forte chuva começou a cair sobre Caracas.

As autoridades disseram que delimitaram as trajetórias das duas passeatas para evitar um confronto.

O ministro do Interior venezuelano, Tareq El Aissami, pediu para que a Procuradoria abra uma investigação contra alguns dos organizadores por "incitar à violência", em particular contra Óscar Pérez, dirigente do partido Aliança Bravo Povo (ABP), para que respondam pelo ocorrido.

Segundo Aissami, a confusão foi "programada" pelos dirigentes opositores que falaram de "civismo e paz" sabendo que "em sua agenda oculta" havia um final violento.

Para o ministro, uma demonstração de que tudo foi planejado é que várias das pessoas que provocaram os distúrbios usavam máscaras e coletes à prova de balas.

Por outro lado, os governistas organizaram sua concentração de apoio à nova lei de educação no centro da cidade, onde alguns palcos foram instalados para a apresentação de grupos musicais e artistas populares.

Além de apoiar a lei, a manifestação serviu, segundo seus organizadores, para repudiar a decisão do Governo colombiano de permitir que tropas americanas utilizem seu território como base de operações.

Enquanto o gás lacrimogêneo punha um fim repentino à manifestação opositora, os partidários do Governo misturavam peças musicais com os discursos de dirigentes políticos, entre eles alguns ministros.

Todos os discursos serviram para reiterar o caráter progressista da nova norma educativa e destacar a ameaça que a presença de tropas americanas na América do Sul representa para a Venezuela.

Não houve discursos na manifestação opositora, já que os confrontos ocorridos no final da passeata não deram margem para tal possibilidade.

Porta-vozes dos grupos mais radicais da oposição já tinham indicado que não respeitariam os limites fixados pelas autoridades para a manifestação porque seu objetivo era chegar ao centro da cidade, onde estavam os "chavistas".

No final, a defesa dos pontos de vista contrários ou favoráveis à nova lei educativa passou para um segundo plano e se perderam na controvérsia aberta pela forma como terminou a manifestação opositora. EFE rr/bba

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