Legitimidade de Ahmadinejad não está em questão, diz Garcia

BRASÍLIA (Reuters) - Não há no governo brasileiro o debate sobre o reconhecimento da legitimidade da reeleição do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta terça-feira o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia. Ele acrescentou que o país espera para este ano a visita do líder iraniano. A reeleição de Ahmadinejad, que toma posse do segundo mandato na quarta-feira, foi questionada por parte da comunidade internacional depois que a oposição afirmou que houve fraude no pleito.

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"Não há essa questão de reconhecimento. Nenhum país está reconhecendo ou desreconhecendo o Irã", disse Garcia a jornalistas.

Proeminentes políticos moderados acusaram o governo iraniano de ter fraudado a eleição e já afirmaram que o próximo mandato de Ahmadinejad é "ilegal".

A primeira-ministra (chanceler) alemã, Angela Merkel, resumiu nesta terça-feira a posição de alguns países ocidentais.

"Diante das circunstâncias da controversa reeleição, a chanceler não escreverá, como é de praxe, a costumeira carta de congratulações", disse um porta-voz do governo alemão.

França, Estados Unidos e Grã-Bretanha também informaram que adotarão postura semelhante.

O Brasil, no entanto, sinalizou que pretende continuar o movimento de aproximação a Ahmadinejad.

"Estamos na expectativa de que se configure a visita do presidente do Irã aqui, até porque acreditamos que será uma excelente ocasião de o Brasil transmitir uma série de opiniões, particularmente no que diz respeito ao programa nuclear iraniano", destacou Garcia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se manifestou favorável ao desenvolvimento do programa nuclear iraniano com fins pacíficos.

Garcia rebateu também as críticas à aproximação dos dois países, alegando que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, não se opuseram à iniciativa brasileira.

"O diálogo entre o Brasil e o Irã é visto com muito interesse por interlocutores dos mais diversos", argumentou.

"O presidente Obama pediu que nesse diálogo o Brasil pudesse exercer um papel moderador. O próprio ministro das Relações Exteriores de Israel também pediu que o Brasil pudesse exercer seus bons ofícios nesse relacionamento."

(Reportagem de Fernando Exman)

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