Legista que examinou Jean Charles recebeu informação errada da Polícia

Londres, 5 nov (EFE).- O legista que examinou o corpo de Jean Charles de Menezes após sua morte a tiros em um vagão do metrô de Londres recebeu informação errada da Polícia quando visitou o local, segundo disse hoje no tribunal que investiga o caso.

EFE |

O patologista Kenneth Shorrock foi informado pelos agentes que o acompanharam em sua inspeção da estação de metrô de Stockwell de que o brasileiro havia saltado as barreiras de acesso e tropeçado nas escadas em sua suposta fuga das autoridades.

Perguntado pelo advogado da família, Michael Mansfield sobre por que figuravam entre suas notas iniciais esses dados incorretos, o doutor respondeu: "Foi o que me disseram".

"O que passou é que havia muitos agentes presentes e nos fizeram um percurso", explicou o médico, que disse não poder lembrar quem o deu tais declarações, nem se era um oficial com categoria.

Posteriormente, confirmou-se que Jean Charles, morto a tiros pela Polícia londrino em 22 de julho de 2005, ao ser confundido com um terrorista, entrou no metrô como qualquer usuário e foi a vítima inocente de um erro policial.

O doutor também declarou perante o tribunal que um só tiro tivesse sido suficiente para matar o eletricista, que não teria sobrevivido com nem um dos quatro disparos que recebeu no cérebro.

Jean Charles, então com 27 anos, morreu com sete tiros na cabeça de agentes à paisana que o confundiram com um dos autores de atentados fracassados do dia anterior.

Outra testemunha na audiência de hoje foi o ex-subcomissário adjunto Brian Paddick, que discordou de seus colegas sobre quando o então comissário da Scotland Yard, Ian Blair, havia se inteirado de que haviam matado um inocente.

Em sua primeira declaração no tribunal, Paddick, que este ano foi candidato à Prefeitura de Londres, opinou que a ordem dada pela oficial ao comando da operação, Cressida Dick, sobre como os agentes deviam proceder era "ambígua".

A ordem foi "detê-lo, mas, façam o que façam, não lhe deixem entrar no metrô".

Paddick também disse que, segundo o regulamento da Scotland Yard, o papel de Dick como "oficial de categoria designada" para supervisionar a operação devia ser de se ocupar exclusivamente da "decisão de atirar". EFE jm/jp

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