Genebra, 13 fev (EFE).- Especialistas do Instituto de Medicina Forense (IMF) da Universidade de Zurique afirmaram hoje que a brasileira supostamente vítima de um ataque racista na cidade causou ela mesma os ferimentos em seu corpo e que o caso se assemelha a outros já registrados na literatura médica.

Numa coletiva concedida pela manhã, a Polícia explicou que o caso de Paula Oliveira, de 26 anos e bacharel em direito, continua em aberto e que as investigações prosseguem. Porém, durante a entrevista, a palavra foi passada a um dos especialistas da universidade.

O professor Walter Bär, do IMF, se referiu ao caso como típico de "um manual".

"Em todos os livros de medicina forense, há exemplos desse tipo de automutilação", acrescentou o perito.

O médico explicou que a brasileira tem ferimentos nos braços, nas pernas, no pescoço e no ventre, todos lugares onde ela alcança.

"Ela não tem nenhum ferimento em lugares sensíveis, como nos seios ou na região pubiana. E todos os cortes são muito parecidos", acrescentou.

Além disso, os legistas constataram que a mulher não estava grávida no dia da suposta agressão, apesar de ela ter dito que, por conta do ataque, perdeu os gêmeos que esperava havia três meses.

O comandante da Polícia de Zurique, Philip Hotzenköcherle, disse que as informações dos legistas foram incluídas nos autos da investigação, mas que, por enquanto, "continua explorando todas as pistas".

Segundo o relato de Paula, na segunda-feira ela sofreu um ataque racista quando ia para casa.

À Polícia, ela contou que três skinheads a atacaram brutalmente, fazendo-a abortar. Ainda segundo Paula, os agressores usaram uma espécie de estilete para fazer uma série de cortes em seu corpo e gravar sobre sua pele as letras SVP, iniciais em alemão do partido de ultradireita da Suíça, o UDC. EFE mh/sc

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