Legisladores dos EUA finalizam acordo sobre milionário resgate financeiro

César Muñoz Acebes Washington, 28 set (EFE).- Os legisladores dos Estados Unidos estão finalizando hoje os detalhes do plano de resgate financeiro no valor de US$ 700 bilhões, para se adiantar à abertura das bolsas, com o objetivo de dar aos mercados uma mensagem de confiança.

EFE |

Após não terem conseguido chegar a um acordo durante a semana, os líderes do Congresso tinham colocado como meta entrar em consenso antes da abertura das bolsas na Ásia, conscientes de que o atraso do programa de ajuda poderia levar a uma queda livre dos mercados.

Hoje de madrugada, os legisladores conseguiram um acordo, após um dia de reuniões praticamente sem pausa.

"Acho que conseguimos", disse o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, que estava acompanhado pela presidente da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi, e do líder da maioria desse partido no Senado, Harry Reid.

Durante a noite e o dia de hoje, os esforços foram para traduzir o princípio de acordo em um texto legislativo concreto.

A Câmara Baixa deve votar o texto amanhã, que depois passará ao Senado e, se não houver obstáculos, chegará à mesa do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que deverá assinar o plano.

O programa pretende ser uma das maiores intervenções nos mercados na história dos Estados Unidos.

O objetivo é desbloquear o fluxo do crédito, com a aquisição pelo Governo da dívida de má qualidade que prejudica os balanços dos bancos.

Os mais reticentes à aprovação foram os republicanos da Câmara Baixa, para os quais uma intervenção desse calibre soa como socialismo, palavra "maldita" no discurso político americano.

Eric Cantor, um dos principais negociadores desse grupo, disse hoje à rede de televisão "CNN" que analisarão os detalhes do projeto para decidir se o apóiam.

No entanto, aceitou a idéia de que o Governo adquira os títulos que prejudicam o sistema financeiro, o que é um bom sinal diante da aprovação do pacote no Congresso.

"Não estamos em desacordo com a posição de que o secretário Paulson tem que comprar os instrumentos tóxicos", disse Cantor.

Os dois candidatos à Presidência dos EUA também mostraram hoje seu apoio a um acordo que pretende colocar "ordem na desordem" dos mercados.

O candidato democrata, Barack Obama, já tinha mostrado apoio às posições dos líderes democratas no Congresso, e hoje reafirmou que está inclinado a respaldar o pacto, em uma entrevista ao canal de televisão "CBS".

Até agora, o candidato republicano, John McCain, tinha sido mais ambíguo, mas hoje finalmente disse que, em princípio, apóia o acordo.

"Isso é algo que todos nós teremos que enfrentar e seguir adiante com isso", disse McCain à emissora "ABC".

Para os legisladores dos dois partidos, a maioria dos quais se apresenta à reeleição em novembro, é uma decisão difícil, pois receberam milhares de ligações e mensagens dos eleitores de seus distritos contra salvar os banqueiros de Wall Street.

No entanto, pesou o argumento da Administração de que, se nada for feito, seria instalado o caos nas bolsas e o país poderia cair em uma recessão profunda.

As repercussões em nível internacional de um agravamento da crise também seriam profundas, como mostrou este fim de semana a notícia de que o Governo britânico pretende nacionalizar o banco hipotecário Bradford&Bingley (B&B).

Enquanto isso, as autoridades da Bélgica e da Holanda tentam dirigir o futuro do grupo Fortis, que poderia ser vendido ou nacionalizado.

Paulson abriu as portas para que o Governo dos Estados Unidos compre dívida de má qualidade em dólares também de bancos estrangeiros.

A proposta inicial do secretário do Tesouro, de apenas três páginas, se transformou em um documento de mais de 100, por enquanto, com a incorporação de novos elementos.

Hoje, o escritório de Pelosi revelou que planos de previdência, Governos locais e pequenos bancos poderão aderir ao programa, além dos grandes bancos em Wall Street.

O programa também dá ao secretário do Tesouro a opção de requerer que os bancos comprem seguros para cobrir sua carteira de títulos vinculados às hipotecas.

Essa era uma reivindicação dos republicanos da Câmara Baixa, que deverão decidir se essa cláusula satisfaz suas inquietações. EFE cma/an

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