Durante Cúpula das Américas, na Colômbia, presidente americano diz que melhor caminho para combater o narcotráfico é "fortalecer as instituições"

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste sábado na Cúpula das Américas, na Colômbia, que legalizar as drogas não é o caminho para combater os estragos causados pelo narcotráfico na América Latina e no Caribe.

"Para mim, pessoalmente, e a posição do meu governo, é que legalização não é resposta", disse Obama, durante encontro com empresários do qual também participaram os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e do Brasil, Dilma Rousseff.

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Ao lado do presidente colombiano, Juan Manuel Carlos, Obama participa da Cúpula das Américas
Reuters
Ao lado do presidente colombiano, Juan Manuel Carlos, Obama participa da Cúpula das Américas

O presidente americano, porém, disse que os Estados Unidos estão "conscientes da nossa responsabilidade nessa questão" e que considera "legítimo ter uma conversa sobre se as leis estão fazendo mais mal que bem em alguns países".

A política de drogas é um dos principais assuntos da Cúpula das Américas. Países centro-americanos, assim como a Colômbia e o México, têm defendido uma revisão da atual estratégia de combate ao narcotráfico na região.

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Segundo eles, a política atual – que concentra os esforços na repressão ao tráfico e na criminalização do uso de drogas – fracassou, o que seria comprovado pelos altos índices de criminalidade regionais. Alguns, como o presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, defendem até a legalização de certas drogas e a regulamentação de um mercado para o comércio de narcóticos.

No entanto, Obama insistiu que a legalização pode agravar os problemas. Ele disse que, caso possam operar legalmente, grandes comerciantes de drogas terão influência muito grande sobre alguns países. Segundo o presidente americano, o melhor caminho para combater os males causados pelo narcotráfico é fortalecer as instituições.

"As sociedades em que há fortes instituições, investimento, aplicação das leis, infraestrutura e economia próspera, são mais imunes que outros países com fracas instituições, alto desemprego e em que crianças só vejam oportunidade no comércio de drogas."

Oferta e demanda

Obama afirmou ainda que não se pode "olhar questão da oferta (de drogas) na América Latina sem ver questão da demanda nos Estados Unidos". "O povo americano entende que o narcotráfico em sociedades da América Central, Caribe e parte da América do Sul são brutais e minam a capacidade dos governos de proteger cidadãos, erodindo instituições."

Por isso, disse Obama, os Estados Unidos têm se dedicado em compartilhar com esses países seu "know-how" no combate às drogas. Ele afirmou ainda que seu governo gasta US$ 30 bilhões (R$ 55 bilhões) em prevenção e tratamento de dependentes, "encarando a questão não só em termos de aplicação da lei e combate ao tráfico, mas também como política de saúde".

Obama também se queixou da postura de jornalistas latino-americanos, que ao mesmo tempo em que cobram que os Estados Unidos intervenham nos países que vivem a Primavera Árabe, indagam por que os americanos são tão duros ao insistir que Cuba respeite os direitos humanos.

"Os meios de comunicação se concentram nas polêmica, e algumas conversas estão perdidas no tempo, falando em Guerra Fria, em "ianques"... Este não é o mundo em que vivemos hoje, temos de pensar com novas ideias", afirmou.

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