Varsóvia, 11 set (EFE).- A Rússia não quer simples gestos políticos cosméticos mas verdadeiras garantias concretas de que o escudo antimísseis que os Estados Unidos vão instalar na Polônia não será dirigido contra a Federação Russa.

Em artigo publicado hoje pelo jornal polonês "Gazeta Wyborcza", o ministro de Exteriores russo, Serguei Lavrov, diz que Varsóvia "entrou em um jogo muito perigoso" após ter aceito as bases antimísseis.

Apesar disso, Lavrov admitiu a possibilidade de Rússia e Polônia poderem melhorar suas relações "se os Estados Unidos e a Polônia estiverem realmente interessados em garantir que as bases antimísseis não são uma ameaça contra a Rússia".

"Apesar de tudo, estamos abrindo as portas a negociações sérias", diz Lavrov, que hoje se reúne com seu colega polonês, Radoslaw Sikorski, e com o primeiro-ministro, Donald Tusk, para discutir sobre o escudo antimísseis e a situação no Cáucaso.

No artigo, o ministro russo admite que a Polônia é um aliado potencial de Moscou na União Européia (UE), sempre que for capaz de aceitar a política internacional e energética russa, sem interferir no espaço pós-soviético e na construção do gasoduto com a Alemanha.

Estas duas questões foram objeto de confrontos recentes entre ambos os países, após a Polônia ter apoiado incondicionalmente a causa georgiana e ter criticado várias vezes o projeto de gasoduto russo-germânico que, através de um cabo através do Mar Báltico, evita que se atravesse o território polonês.

Lavrov insiste em que a política internacional da Rússia tem como objetivos "desenvolver relações amistosas com todos os estados, incluindo a Polônia, e proteger a vida e dignidade dos cidadãos russos onde quer que estejam, especialmente se se tratar de regiões onde a Rússia tem interesses privilegiados", em uma clara referência a suas últimas intervenções na zona do Cáucaso. EFE nt/ma

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