Laudo aponta que filha de brasileira presa na Itália morreu afogada

SÃO PAULO - O resultado da autópsia no corpo de Giuliana Favaro, de dois anos de idade, aponta que a garota morreu por afogamento, na última quarta-feira, no rio Monticano, na cidade de Oderzo, na Itália. Simone Moreira, mãe de Giuliana, é suspeita de ter matado a filha e está detida no presídio de Belluno, acusada de homicídio doloso.

Redação com agências internacionais |

Ainda de acordo com o jornal, o exame não identificou marcas ou ferimentos aparentes que indiquem uma queda acidental nas águas do Rio Monticiano, como sustenta a mãe da menina.

Em depoimento, Simone contou que havia acabado de buscar a filha na casa do ex-marido, o empresário italiano Michele Favaro, de 40 anos, quando parou para tomar sorvete. Num momento de descuido, Giuliana teria caído no rio.

A garota foi resgatada com vida, mas morreu horas depois. No hora da queda, as cercanias do rio estavam escuras por causa de um blecaute que atingiu parte da cidade de Oderzo.

A versão inicial apresentada pela mãe não despertou suspeitas. Mas, ao verificarem o local e as circunstâncias do suposto acidente, policiais concluíram que a história contada pela brasileira era inconsistente - sobretudo porque o rio é quase todo cercado por grades.

Os promotores do caso apontam como um dos indícios de que a morte de Giuliana não foi acidental o fato de Simone ter apenas uma passagem comprada de volta para o Brasil. "Ela vinha no dia 25 de outubro porque era aniversário do meu neto. Pensava em ficar de vez, mas o Michele tinha pedido que não voltasse para que pudesse continuar perto da filha e ela ficou balançada, indecisa se voltava ou não", diz Márcia Cipriano Moreira, mãe da garçonete.

A brasileira e o italiano se conheceram em fevereiro de 2006, em Copacabana. Simone tinha 19 anos e era mãe de um outro menino, Luca, hoje com 5 anos. Em maio, os três foram morar na Itália e, dois meses depois, Simone engravidou de Giuliana. Quando o casal se separou, o pai ficou com a guarda da menina e Simone mandou Luca de volta ao Brasil, para morar com a avó no Rio de Janeiro. Segundo Márcia, apesar de não estarem mais juntos, o casal mantinha relacionamento cordial.

Depoimento

O interrogatório de Simone Moreira, de 22 anos, acusada de homicídio pela morte da filha, foi adiado na última segunda-feira pela Procuradoria de Treviso, na Itália, para a tarde desta terça-feira. Simone será interrogada no presídio de Belluno, cidade próxima de Treviso, no norte da Itália, onde está detida desde sábado passado.

Simone estaria sob o efeito de sedativos, em uma cela com outras três mulheres, segundo o advogado que a defende, Alvise Tommaseo Ponzetta. "Deixem eu sair daqui, quero pentear minha menina antes que a enterrem", teria pedido Simone ao seu advogado, segundo o jornal local Il Gazzettino. A brasileira afirma que é inocente.

* Com BBC, Agência Estado e EFE

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