Latinos podem aumentar sua influência política nos EUA

María Peña. Washington, 4 nov (EFE).- Os latinos podem aumentar sua influência na política dos Estados Unidos, já que seus líderes concorrem hoje a cadeiras estaduais e federais em 37 estados, além de formar um bloco decisivo como eleitores.

EFE |

Os hispânicos, que representam 15% da população americana, aumentaram sua força nas últimas décadas e poderiam definir as disputas de hoje em vários estados como Colorado, Nevada, Flórida e Novo México.

Em entrevista à Agência Efe, o legislador democrata pela Califórnia Xavier Becerra destacou que a comunidade hispânica "está mais envolvida que nunca nestas eleições".

"Muitos grupos investiram tempo e recursos para registrar eleitores latinos e para informá-los sobre as posições dos candidatos", enfatizou.

Essa campanha de mobilização dos eleitores hispânicos, liderada por militantes e voluntários dos partidos Republicano e Democrata, é palpável nos bairros e negócios latinos nesses estados.

"Viajei ao Novo México, Colorado e Flórida durante esta campanha, e vi como pessoas que nunca tinham se envolvido antes na política estão participativas... é claro para mim que os latinos estão mais motivados que nunca", assinalou Becerra, um partidário do democrata Barack Obama.

O voto latino será muito importante no estado da Flórida, até agora um reduto republicano mas que registrou mudanças demográficas substanciais que colocaram na defensiva o candidato desse partido, o senador John McCain.

O analista político e professor de American University, Alan Lichtman, disse que o voto latino "é um poder que está aumentando nos Estados Unidos".

"O potencial de transformar a política americana está nesse caminho. O Texas é um dos estados mais republicanos no mapa político do país, mas, dentro de 20 anos, poderá adotar os democratas, graças em parte à população hispânica", afirmou.

Calcula-se que este ano pelo menos nove milhões de latinos comparecerão às urnas, em comparação com os 7,6 milhões que votaram em 2004.

Os latinos também podem deixar sua marca como candidatos, já que, segundo um relatório divulgado na semana passada pelo Fundo Educativo da Associação Nacional de Funcionários Latinos Eleitos (Naleo, na sigla em inglês), 340 hispânicos se candidataram a cadeiras federais e estaduais.

Esse número representa um aumento de 42% em relação às eleições de 1998, e as latinas representam 28,5% do total de candidatos desta minoria.

Rosalind Gold, porta-voz da Naleo, disse à Efe que "os candidatos latinos mais uma vez estão demonstrando que podem organizar campanhas viáveis em cada região do país".

"Os latinos não só podem atrair seus compatriotas, mas também têm capacidade de governar blocos eleitorais muito diversos", disse Gold.

Os hispânicos contam atualmente com 29 representantes no Congresso e três no Senado, e aumentariam sua representação, sobretudo nas assembléias estaduais, segundo projeções da Naleo.

"As eleições demonstrarão que os latinos e os eleitores imigrantes se transformaram em uma potente força política, capaz de mudar o rumo das eleições", afirmou Frank Sharry, diretor-executivo do grupo America's Voice. EFE mp/mh

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