Latino-americanos pedem mais diálogo e passos concretos aos EUA

Emilio Sánchez. Port of Spain, 18 abr (EFE).- A 5ª Cúpula das Américas confirmou hoje o começo de uma nova era nas relações da América Latina com os Estados Unidos, na qual se aprofunde o diálogo com passos concretos.

EFE |

Ao longo dos debates das três sessões plenárias realizadas hoje, os governantes americanos expressaram satisfação com o novo espírito de cooperação que inicia um período de esperança nas relações com Washington.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, destacou que a grande prova para os Estados Unidos se centra agora nas relações com Cuba, e admitiu que já foi dado "um passo pequeno na direção certa".

"Eu acho que, agora, em vez de estar discutindo os próximos passos, o que tem que haver é um diálogo direto", acrescentou Amorim.

"Foi uma reunião formidável, entendemos como um pontapé inicial, o início de um novo tipo de relação. Ficou no ambiente uma sensação de otimismo e de muita esperança", afirmou a presidente do Chile, Michelle Bachelet.

O mais contundente ao expressar esse otimismo nas novas relações com os Estados Unidos foi o presidente do Equador, Rafael Correa, um tradicional crítico à política americana.

Correa disse estar feliz por ter conhecido o presidente Barack Obama, e expressou a simpatia com a nova Administração dos Estados Unidos devido à atitude "positiva" em direção à América Latina.

Após se reunir com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, Correa afirmou que as relações entre Quito e Washington "são das melhores", e viu "com muita simpatia a nova Administração americana".

O presidente equatoriano considerou que o principal benefício da Cúpula de Trinidad e Tobago é "o diálogo aberto, franco e amigável" entre América do Sul e América do Norte.

Em contraste com o otimismo da maioria dos presidentes latino-americanos, a Casa Branca advertiu, no entanto, de que é preciso esperar para constatar as boas intenções de amizade, não só em relação a Cuba, mas também se forem confirmados os desejos de amizade do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O vice-conselheiro do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Denis McDonough, afirmou que, com alguns países, teve início "uma nova relação, mas embora os apertos de mão, as fotografias e os sorrisos sejam importantes, não são o principal".

"Nas próximas semanas, julgaremos se de verdade começou uma nova era" nas relações, afirmou.

Diante dos pedidos reiterados a Washington para que coloque fim ao embargo econômico a Cuba, a Casa Branca insistiu hoje em que a bola está agora no campo de Havana.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, explicou que o presidente acredita que é preciso "mudar a política" em direção a Cuba, e que já deu passos para conseguir isso com o levantamento das restrições às viagens e remessas familiares à ilha.

Agora, explicou, "esperamos com antecipação para ver o que Cuba está disposta a fazer".

O espírito positivo pelas declarações e gestos de Obama pareceu deixar em segundo plano as divergências sobre a declaração final da cúpula, que deve ser aprovada neste domingo.

Ao longo dos debates de hoje, com comentários de boas intenções para melhorar a prosperidade da região, estabelecer novos planos energéticos e aumentar a governabilidade pública, os países da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) não tentaram alterar a minuta da declaração da 5ª Cúpula das Américas.

No entanto, Chávez anunciou que os países da Alba não assinarão a declaração, ao que Correa acrescentou que o problema é que o texto não inclui a importância das razões da atual crise econômica global, que não é outra que o fracasso do capitalismo, "porque não é uma crise conjuntural, mas estrutural", ressaltou.

A sessão final da cúpula estará centrada no domingo em várias reuniões bilaterais e de Obama com grupos regionais, à espera de ser confirmada se a declaração final será modificada para ser aprovada por todos os participantes. EFE esc/db

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