Latino-americanos e europeus querem voz na reforma financeira

Biarritz (França), 3 nov (EFE).- Os responsáveis políticos que participaram hoje da primeira sesão do Fórum de Biarritz sublinharam a importância de ter voz e voto na reforma do sistema financeiro, e insistiram na necessidade de combater com regulações a especulação que causou a crise.

EFE |

"É a hora do retorno da política", destacou o ex-presidente chileno Ricardo Lagos, que advogou por "um sistema (financeiro) mais regulado", que ao mesmo tempo permita "uma boa alocação de recursos, porque o mercado não pode ser o amo e porque o sistema por si só não se regula".

Lagos assinalou, em um tom um tanto irônico, que "pela primeira vez os latino-americanos não somos os responsáveis por uma crise", e considerou encorajador que na cúpula de Washington vão estar representados três países latino-americanos (Brasil, Argentina e México) que fazem parte do G20.

O presidente dominicano, Leonel Fernández Reyna, no entanto, se queixou das exclusões que também implica a configuração do G20 para a reunião de Washington e reivindicou "um novo sistema financeiro mais justo, mais equitativo" em cuja concepção, disse, deveria estar envolvido "o G192", ou seja, todos os países da ONU.

Fernández Reyna, o único chefe de Estado que participa desta nona edição do Fórum de Biarritz que se prolonga até amanhã, criticou o que chamou "economia de cassino" que para ele está após a crise financeira atual, da mesma forma que após as recentes crises de carestia dos alimentos e do petróleo.

Na origem de todas elas "a especulação" teve "um papel crucial", acusou o presidente dominicano, resssaltando que "o dano é imenso, incalculável sobre as economias das nações e o sofrimento de seus cidadãos".

Além disso, alertou que enquanto se mantiver o funcionamento especulativo que fez "mais vulneráveis os mercados (...) estaremos sujeitos a que em um futuro não muito distante voltem a ocorrer" episódios de crise como o atual.

O ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), o espanhol Rodrigo de Rato, assinalou que a crise financeira pôs em evidência que "não só falhou o mercado, mas também as políticas macroeconômicas" de alguns países, e sem os citar expressamente, referiu-se aos EUA por seu volumoso déficit.

Rato considerou que "é uma boa notícia" que a discussão sobre a reforma do sistema financeiro internacional se faça no G20 e não no G7, e estimou que a Europa tem que esforçar porque estes debates ocorrem em "foros multilaterais" e também que se garanta uma coordenação das políticas monetárias de os grandes blocos (UE, EUA, Japão e China).

O ex-presidente peruano Alejandro Toledo declarou-se "profundamente otimista" sobre as expectativas da América Latina apesar uma crise pela qual, segundo ele, "vão pagar os mais pobres".

O otimismo de Toledo se sustenta em que, segundo suas previsões, a região vai seguir crescendo já que diversificou suas exportações, conseguiu abrir novos mercados e já não é tão dependente dos Estados Unidos.

No Fórum de Biarritz, o ministro francês de Assuntos Europeus, Jean-Pierre Jouyet, reafirmou o apoio de seu país à presença da Espanha na cúpula de Washington, na qual não está incluída.

Outro tema destacado desta reunião, que será objeto de debate amanhã, é o Pacto da Imigração adotado no mês passado pela União Européia, que suscitou fortes críticas de representantes latino-americanos, em particular de Lagos e de Toledo. EFE ac/jp

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