Latino-americanos condenam nova lei de imigração européia

Líderes da América Latina reagiram mal ao polêmico conjunto de regras que harmonizará as políticas de repatriação de imigrantes nos 27 países da União Européia e que prevê detenção de até 18 meses para imigrantes antes da deportação. O governo brasileiro, por meio de uma nota do Ministério das Relações Exteriores, informou que lamenta a decisão.

BBC Brasil |

A nota do Itamaraty lembra que o Brasil "deu acolhida a milhões de imigrantes e descendentes" e acrescenta que a lei contribui "para criar uma percepção negativa da migração e vai no sentido contrário ao de uma desejada redução de entraves à livre circulação de pessoas e de um mais amplo e pleno convívio entre os povos".

O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que os países da região deveriam se unir contra o que chamou de "iniciativa do ódio".

O presidente boliviano, Evo Morales, disse que a América Latina deveria trabalhar com a África contra as novas regras que, segundo Morales, atacam os direitos e a vida das pessoas.

As novas leis devem entrar em vigor em 2010 e, além da prisão por até 18 meses antes da deportação, também permite a expulsão de menores de idade desacompanhados e proíbe que os deportados voltem a entrar em qualquer país do bloco durante os cinco anos seguintes à expulsão.

Ameaça

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou nesta sexta-feira suspender o envio de petróleo aos países europeus que aplicarem as novas regras.

"Pelo menos o nosso petróleo não deve chegar a estes países europeus", disse Chávez em uma entrevista coletiva junto com o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, que está visitando o país.

Representante do Mercosul, o argentino Carlos Alvarez afirmou que a nova medida desrespeita abertamente os direitos humanos.

Alvarez acrescentou que a União Européia deveria se lembrar que, no passado, milhões de europeus foram para a América da Latina, vítimas da fome, da guerra e de regimes totalitários, e todos foram integrados sem problemas.

Além das condenações desta sexta-feira, 44 governos da América Latina e da África - entre eles Bolívia e Equador - já tinham enviado cartas à Comissão Européia e ao Alto Representante da União Européia, Javier Solana, condenando a diretiva e pedindo uma revisão das medidas propostas.

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