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Lansana Conté, o general presidente da Guiné

Conhecido como o general presidente, Lansana Conté, falecido na noite de segunda-feira aos 74 anos, governou com mão-de-ferro a Guiné durante 24 anos, não hesitando em reprimir violentamente qualquer movimento de contestação a sua gestão, considerada catastrófica pelas ONGs.

AFP |

Conté, militar de carreira, chegou ao poder por meio de um golpe de Estado em 3 de abril de 1984, uma semana depois da morte do primeiro presidente da Guiné independente, Ahmed Sekou Touré.

Nascido em 1934 em Moussayah Loumbaya (próximo a Conakry), Conté era filho de agricultores da etnia Sussu (minoritária).

Depois de entrar por concurso na Escola Técnica de Filhos da Tropa, estudou na Costa do Marfim e no Senegal. Incorporado em 1955 ao exército francês, se retirou com o grau de sargento no momento da independência da Guiné em 1958.

Foi promovido a coronel em 1984, quando o Comitê Militar de Recuperação Nacional o coloca na chefia do Estado.

Conté, sucessor de Sekou Touré, o "pai da Independência" que se converteu num ditador paranóico, acabou com as esperanças dos democratas e, apoiando sua autoridade no exército, resistiu a uma tentativa de golpe de Estado em 1985 e a uma sangrenta rebelião militar em 1996.

Submetido à pressão, fez aprovar em 1990 uma nova Constituição, que previa o multipartidarismo, mas as eleições jamais foram livres ou transparentes.

Conté ganhou as presidenciais de 1993 e as de 1998, mas a oposição boicotou em 2001 o referendo sobre a reforma constitucional, que autorizava uma espécie de "presidência vitalícia", e as presidenciais de 2003, nas quais venceu com 95,63% dos votos frente a um adversário único.

No início de 2007, as grandes manifestações populares hostis ao regime e aos "depredadores da economia nacional", foram violentamente reprimidas e pelo menos 186 pessoas morreram.

Em novembro de 2008, pelo menos quatro pessoas morreram, segundo a Human Rights Watch, na periferia de Conakry, em meio a manifestações reprimidas pelas forças de segurança que usaram munição de verdade.

Lansana Conté deixa uma Guiné em crise, rica em minerais, mas empobrecida pela corrupção e na posição 160 dos 177 países na classificação do desenvolvimento humano das Nações Unidas.

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