Lama tóxica que vazou na Hungria chega ao rio Danúbio

Ainda não há informações sobre danos causados ao rio; vazamento deixou quatro mortos e 120 feridos

iG São Paulo |

A lama tóxica que vazou de uma indústria de alumínio no oeste da Hungria chegou nesta quinta-feira ao Danúbio, um dos grandes rios da Europa Ocidental, disse o porta-voz do órgão húngaro que coordena a resposta ao desastre. O vazamento, provocado pela ruptura na segunda-feira de um dique da empresa MAL Zrt, já causou quatro mortes e deixou 120 feridos. Três pessoas ainda estão desaparecidas.

Segundo Tibor Dobson, não há informações sobre danos no Danúbio, assim como no rio atingido anteriormente, o Raba. Em um rio menor, o Marcal, o primeiro afetado pela poluição, todos os peixes morreram.

Dobson afirmou que as equipes trabalham para reduzir o conteúdo alcalino do resíduo, cujo pH ainda estava em torno de 9 quando alcançou o rio Raba, por volta de 3h30 (0h30 em Brasília), e o Mosoni-Danúbio, um afluente do rio Danúbio, às 7h30 locais. O nível normal, que não causa danos, deveria ficar entre 6 e 8. A bacia principal do Danúbio fica a cerca de 20 quilômetros do ponto onde a poluição atingiu o Mosoni-Danúbio.

O vazamento ocorreu na cidade de Ajka, que foi tomada pela substância conhecida como "barro vermelho", que é tóxica, corrosiva e alcalina. Ela é formada durante a produção de alumínio. Por causa do acidente, as autoridades declararam o estado de emergência nas três províncias contaminadas ao oeste do país.

null Vizinhos

Países vizinhos à Hungria, por onde passa o rio Danúbio, reforçaram os controles das águas para fazer frente a uma eventual contaminação depois do acidente industrial.

Na Sérvia, um dos primeiros países percorridos pelo Danúbio depois da Hungria, as autoridades examinam regularmente a qualidade das águas, apesar de a contaminação "no momento não ameaçar" este país, declarou à emissora B92 Predrag Maric, encarregado de situações de emergência no Ministério do Interior sérvio.

A Croácia também está em estado de vigilância e se mantém em contato permanente com os serviços húngaros, segundo um comunicado do Serviço de Proteção e Socorro.

Na Romênia, são feitas análises a cada três horas no Danúbio por parte da Administração Nacional de Águas, indicou a porta-voz Ana Maria Agiu. "Analisamos a concentração de metais pesados", completou. Uma eventual chegada de substâncias contaminantes da Romênia não ocorrerá antes de quatro ou cinco dias, e estariam "certamente diluídas", completou Ana Maria.

O rio desemboca no Mar Negro, em um delta entre Romênia e Ucrânia, em uma zona natural considerada patrimônio mundial pela Unesco. Em Kiev, um grupo de trabalho segue de perto a situação, apesar de não "existir nenhuma ameaça para a Ucrânia", dada a grande distância entre a zona afetada e o território ucraniano, assegurou um responsável do ministério de Situações de Emergência, Grigori Marchenko.

"É muito difícil avaliar no momento o impacto da catástrofe no Danúbio, já que não conhecemos as cifras da concentração das substâncias contaminantes das águas na Hungria, nem sequer exatamente sua natureza", declarou Orieta Hulea, diretora do programa do WWF sobre a água na região do Danúbio.

Com Reuters, AFP e EFE

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