Lágrimas e revolta em enterro do rabino morto nos atentados de Mumbai

Grande tristeza e revolta eram os sentimentos predominantes em uma sinagoga de Mumbai nesta segunda-feira, enquanto um órfão de dois anos de idade chorava a morte de seus pais - um rabino e sua mulher, assassinados pelos terroristas nos atentados da semana passada na capital financeira da Índia.

AFP |

O pequeno Moshe Holtzberg não era o único - seus avós e a grande maioria dos presentes, incluindo o embaixador de Israel na Índia, Mark Sofer, compareceram ao serviço fúnebre para expressar seu luto pela morte do casal.

Os pais de Moshe, o rabino Gavriel Holtzberg e sua mulher, Rivka, estão entre as vítimas fatais do centro judaico Nariman House, onde viviam e trabalhavam, atacado na última quarta-feira por extremistas islâmicos.

Até agora, os corpos de seis judeus foram identificados, e uma autoridade israelense informou que o balanço pode ser ainda pior ao término dos trabalhos da equipe forense.

No prédio de cinco andares, que abrigava a sede do Beit Chabad em Mumbai, funcionavam um centro educacional, uma sinagoga e um hotel para turistas israelenses.

O pai de Rivka, Shimon Rosenberg, disse que a sede será reconstruída.

"A casa que eles construíram aqui em Mumbai viverá com eles. Eles eram a mãe e o pai da comunidade judaica em Mumbai", disse Rosenberg entre lágrimas.

Moshe estava no centro quando os ataques começaram, mas sobreviveu graças à sua babá indiana, Sandra Samuel, de 44 anos, que conseguiu fugir com ele quando os terroristas tomaram o prédio.

Sandra e Moshe devem viajar para Israel ainda nesta segunda-feira, indicou o embaixador Sofer à AFP.

"Demos a ela um passaporte", informou, acrescentando que os corpos já identificados também devem chegar a Israel ainda nesta segunda.

Uma autoridade israelense, que pediu o anonimato, disse, no entanto, que não estava confirmado se os corpos do rabino e de sua mulher - que moravam em Nova York antes de se mudar para a Índia - também seriam mandados para Israel.

Uma equipe israelense de médicos forenses foi enviada a Mumbai para ajudar a identificar as vítimas; algumas foram mutiladas e provavelmente torturadas, segundo a mesma fonte.

"Não consigo pensar em pessoas que tenham sido melhores mensageiras de Deus", disse na sinagoga Jennifer Gammell, uma cidadã britânica que conhecia o casal há mais de dois anos.

"Todas as noites eles serviam um jantar kosher para quem precisasse. Ninguém jamais se sentiu um estranho em sua casa", acrescentou.

O casal era "tão amado aqui pela comunidade que ninguém deixou de ser tocado por sua hospitalidade e calor humano", afirmou por sua vez o embaixador israelense.

pg-lod-phz/ap

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG